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Oriente Médio

EUA e Rússia falam em "solução política" para a Síria

por Redação — publicado 09/09/2013 09h51
Washington, no entanto, insiste que a comunidade internacional não pode silenciar diante do ataque químico atribuído ao regime Assad
Susan Walsh / AFP
William Hague e John Kerry

William Hague (à esq.) e Kerry deixam sala de imprensa após entrevista coletiva nesta segunda-feira 9

Enquanto continua arregimentando apoio para uma ofensiva contra o regime de Bashar al-Assad, o governo dos Estados Unidos admitiu nesta segunda-feira 9 que a guerra civil síria não será encerrada por meio de uma ação armada, mas sim de uma solução política. Washington, entretanto, segue afirmando que a comunidade internacional não deve ficar em silêncio após o ataque químico realizado no último 21, numa demonstração de que, para a administração Obama, tratam-se de questões separadas.

O reconhecimento de que a solução para o conflito na Síria é política e diplomática e não militar foi feito por meio do secretário de Estado dos EUA, John Kerry. "O fim do conflito na Síria exige uma solução política. Não há solução militar, não temos ilusões sobre isto", disse Kerry em uma entrevista coletiva ao lado do chefe da diplomacia britânica, William Hague, em Londres. "Estados Unidos, o presidente [Barack] Obama, eu mesmo e outros concordamos neste ponto", completou Kerry.

Apesar da opinião, Kerry defendeu uma resposta ao regime de Bashar al-Assad, culpado, segundo os EUA, pelo ataque com armas químicas contra civis em 21 de agosto perto de Damasco. "O que vamos fazer? Dar as costas? Observar um minuto de silêncio?", questionou Kerry. "O risco de não agir é maior que o de agir", completou Kerry.

O secretário de Estado voltou a negar que o caso da Síria tenha semelhança com o Iraque em 2003. Estados Unidos, Reino Unido e outros aliados invadiram o Iraque em 2003 com a alegação de que o regime de Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa, mas estas nunca foram encontradas. Desta vez, o Parlamento britânico se pronunciou contra um ataque à Síria e Hague ofereceu "pleno apoio diplomático" a Kerry.

O Congresso dos EUA volta a se reunir nesta segunda-feira 9, após um período de recesso, e Obama vai tentar obter apoio para uma intervenção. Na semana passada, após uma escalada na retórica em direção ao ataque, a Casa Branca recuou e decidiu pedir a anuência dos congressistas para usar o aparato militar norte-americano. Ainda que não obtenha a autorização, Obama pode decidir realizar o ataque.

Regime Assad diz querer diálogo

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, também afirmou nesta segunda-feira o desejo de Moscou de obter uma solução política no conflito sírio. Essa possibilidade continua "de pé", afirmou Lavrov após uma reunião com o colega sírio Walid al-Mualem em Moscou.

De acordo com o emissário de Bashar al-Assad, o regime também está disposto a dialogar, mas o ataque planejado pelos EUA pode modificar essa posição. "Estamos efetivamente dispostos a participar em um encontro em Genebra sem condições prévias", disse Mualem, em referência ao projeto de uma nova conferência internacional de paz proposto em maio por Rússia e Estados Unidos, mas que não foi concretizado por causa das tensões entre os dois países. "Estamos dispostos ao diálogo com todas as forças políticas sírias que desejam o restabelecimento da paz em nosso país", completou. Mualem, no entanto, disse que a posição mudaria em caso de ataque.

Lavrov, por sua vez, advertiu para o risco de uma "explosão do terrorismo" no Oriente Médio, que segundo ele seria provocada após um ataque ocidental à Síria. "Cada vez mais políticos e autoridades governamentais compartilham nossa opção de que um cenário de uso da força levaria a uma explosão do terrorismo na Síria e nos países vizinhos, e a um importante fluxo de refugiados", disse Lavrov. Antes da reunião, Mualem disse que transmitiu uma mensagem de agradecimento do presidente sírio ao colega russo Vladimir Putin por seu respaldo à Síria. "Assad me encarregou de agradecer a Putin por sua posição sobre a Síria", disse Mualem.

Apesar da aparente disposição de Washington e Moscou para um diálogo, os interesses dissonantes das duas potências são parte importante do impasse existente na Síria. Caso houvesse uma posição única de Estados Unidos e Rússia para pressionar tanto Assad quanto seus opositores a dialogar, uma negociação já estaria em curso.

Com informações da AFP