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EUA e Rússia chegam a acordo sobre a Síria

por Redação — publicado 14/09/2013 11h58, última modificação 14/09/2013 16h33
O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, deram uma semana para Damasco apresentar lista de armas químicas
PHILIPPE DESMAZES / AFP PHOTO
kerry lavrov

Kerry e Lavrov anunciaram acordo após três dias de negociação em Genebra, na Suíça

Os Estados Unidos e a Rússia chegaram a acordo sobre um plano de eliminação das armas químicas sírias, que dá uma semana a Damasco para apresentar a lista de tais armas e prevê a adoção de uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU). O acordo foi anunciado neste sábado 14 em Genebra pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ao fim de três dias de discussões com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Os Estados Unidos e a Rússia "estão de acordo que a resolução da ONU se refira ao Capítulo 7 sobre o recurso à força", disse Kerry. Pelo acordo, inspetores deverão estar em território sírio até novembro, com o objetivo de eliminar as armas químicas do país até meados do ano que vem, acrescentou o secretário. "O objetivo é estabelecer a remoção [do arsenal químico] até meados do ano que vem."

O chefe da diplomacia norte-americana disse ainda aos jornalistas que não haverá lugar a manobras ou qualquer opção que não seja uma completa aplicação [do plano] pelo regime de Bashar al-Assad.

Em entrevista conjunta com Sergei Lavrov, Kerry destacou que, se o plano for implementado na totalidade, pode "acabar com a ameaça que as armas químicas representam, não só para o povo sírio, mas também para seus vizinhos".

"Devido à ameaça da proliferação [de armas químicas], este plano pode fornecer mais proteção e segurança ao mundo", disse Kerry, referindo-se ao acordo. Segundo ele, o mundo espera que o regime de Assad assuma seus compromissos.

O ministro Sergei Lavrov ressaltou que as conversações encerradas hoje em Genebra alcançaram o objetivo definido pelos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Barack Obama, na cúpula do G-20. "Foi alcançado o objetivo estabelecido em uma conversa entre os nossos presidentes, no dia 5 de setembro, à margem do G-20 (...) sobre colocar sob controle internacional o arsenal de armas químicas sírias", disse Lavrov.

Serguei Lavrov e John Kerry reuniram-se neste sábado, pelo terceiro dia consecutivo, para delinear um plano de controle do arsenal químico sírio.

Rebeldes. O chefe dos rebeldes do Exército Livre Sírio rejeitou o acordo entre os EUA e a Rússia para a eliminação das armas químicas na Síria até meados de 2014. "Não podemos aceitar qualquer parte dessa iniciativa. Nós, Exército Livre Sírio, estamos despreocupados com a implementação de qualquer parte deste acordo. Eu e os meus camaradas de armas vamos continuar a lutar até o regime cair", disse o general Selim Idriss a jornalistas, em Istambul.

O general disse que respeita "os amigos" [na comunidade internacional] e espera que eles entendam a posição do seu Exército. "Não podemos aceitar esta iniciativa, porque ela ignora os massacres do nosso povo", sustentou.

De acordo com as Nações Unidas, o conflito na Síria, onde a contestação popular ao regime degenerou em guerra civil, fez mais de 100 mil mortos desde 2011 e perto de 2 milhões de refugiados, que têm sido acolhidos sobretudo na Jordânia, Turquia e Líbano.

*Com informações da Agência Lusa e da Agência Brasil