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EUA e Cuba retomam relações e abrem embaixadas após 54 anos

por Deutsche Welle publicado 20/07/2015 10h05
Representação cubana em Washington será reaberta durante cerimônia para 500 convidados. Hasteamento da bandeira americana em Havana deverá acontecer em agosto
Paul J. Richards / AFP
Cuba

Em Washington, nesta segunda-feira 20, funcionário do Departamento de Estado dos EUA coloca a bandeira de Cuba entre as que o país tem relações diplomáticas

Estados Unidos e Cuba reabrem suas embaixadas em Havana e Washington nesta segunda-feira 20, marcando um novo capítulo nas relações diplomáticas entre os dois países. Há sete meses, eles iniciaram um histórico processo de reaproximação, depois de mais de meio século de hostilidades.

Washington e Havana retomaram oficialmente suas relações à 0h01 (2h01 em Brasília) desta segunda-feira. Nessa hora, as seções de interesses dos dois países, abertas em 1977, passaram a ser formalmente embaixadas.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, presidirá, na manhã norte-americana, o hasteamento da bandeira cubana pela primeira vez, após 54 anos, em uma mansão que voltará a servir como embaixada de Havana em Washington. O evento, de grande caráter simbólico, terá a presença de mais de 500 pessoas, incluindo membros do Congresso dos Estados Unidos.

Não foram enviados convites aos parlamentares anticastristas mais radicais. A delegação americana será liderada pela subsecretária de Estado, Roberta Jacobson. O evento será seguido de uma reunião no Departamento de Estado, entre o secretário John Kerry e Rodríguez.

Enquanto os cubanos realizam uma cerimônia na embaixada dos Estados Unidos, a embaixada americana em Havana também será reaberta. No entanto, nenhuma bandeira será hasteada no local até a visita oficial de Kerry, que deve acontecer em agosto. "Gostaríamos que o secretário estivesse aqui para supervisionar estes eventos importantes", disse um dos funcionários do Departamento de Estado.

Com a reabertura das embaixadas, os atuais chefes das respectivas seções de interesses, José Ramón Cabañas (Cuba) e Jeffery DeLaurentis (EUA), passarão a ser encarregados de negócios, enquanto os dois governos iniciam o processo de nomeação de embaixadores.

O restabelecimento oficial das relações diplomáticas entre os dois países, após mais de meio século de tensões herdadas da Guerra Fria, marca o fim da primeira fase do processo de reaproximação, iniciado em 17 de dezembro de 2014.

No final de maio, Washington levantou o principal obstáculo ao reatamento de relações diplomáticas ao retirar Cuba da "lista negra" dos estados que apoiam o terrorismo.

O restabelecimento das embaixadas foi definido em 1º de julho e pode iniciar o fim de severas restrições estabelecidas entre os dois países, que romperam relações em 1961. As diferenças não desaparecem por completo e se espera que a normalização plena das relações aconteça lentamente.

Kerry e Rodríguez se reuniram pela primeira vez em abril, na Cúpula das Américas, no Panamá, onde os presidentes Barack Obama e Castro também se encontraram.

O presidente Raúl Castro insiste que as relações bilaterais só serão normalizadas quando o embargo econômico imposto à ilha em 1962 chegar ao fim. Além disso, o chefe de Estado cubano exige também que os Estados Unidos devolvam o território "ilegalmente ocupado" da base naval de Guantánamo. Só o Congresso americano pode acabar com o embargo econômico à Cuba.

Deutsche Welle

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