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EUA cooperam com informações sobre crimes da ditadura brasileira

por Deutsche Welle publicado 18/06/2014 09h51
Governo americano já entregou documentos que vão ajudar no trabalho da Comissão da Verdade. Em visita ao Brasil, vice Joe Biden comentou as denúncias de espionagem pela NSA e a situação no Iraque
Roberto Stuckert Filho/ PR

Os Estados Unidos iniciaram o processo de abertura de documentos secretos que podem ajudar a Comissão Nacional da Verdade a esclarecer crimes cometidos durante a ditadura no Brasil. O anúncio foi feito pelo vice-presidente norte-americano, Joe Biden, durante passagem por Brasília, nesta terça-feira 17.

Biden foi à capital para um encontro com a presidente Dilma Rousseff, na expectativa de retomar as relações com o Brasil, estremecidas após as denúncias de espionagem que afloraram no ano passado. Indagado sobre se achava que as relações poderiam ser restabelecidas, ele foi direto: "Estou confiante que sim". Sobre a chefe de Estado brasileira, disse, ao chegar ao Palácio do Planalto: "Eu gosto muito dela."

Como o encontro foi fechado à imprensa, Biden recebeu a mídia na embaixada americana. Depois de quase duas horas de espera, a imprensa ouviu uma declaração oficial do vice-presidente, mas não pôde fazer perguntas. Ele comentou a situação do Iraque e disse que os EUA vêm "trabalhando para apoiar o país contra essa ameaça que é o terrorismo" e que atualmente é necessário "assistência urgente".

Espionagem
Segundo Biden, a "longa conversa privada" com Dilma foi "franca", reafirmou o esforço dos dois países de "proteger a internet" e lembrou as iniciativas do presidente Barack Obama de revisar as condutas da Agência de Segurança Nacional (NSA).

"Sabemos que a questão importa para as pessoas aqui", disse Biden, ao reconhecer o papel de liderança que o Brasil vem desempenhando a respeito do tema. "O presidente Obama pediu uma imediata revisão [dos procedimentos da NSA], fizemos mudanças reais no processo e estamos adotando uma nova abordagem nessas questões."

As relações com os Estados Unidos se deterioraram após a divulgação de denúncias de espionagem por parte do ex-colaborador da NSA Edward Snowden, no ano passado. Dilma cancelou a visita de Estado que faria e, até o momento, não há nova data. Várias reuniões entre chanceleres e vice-presidentes vêm ocorrendo desde então, com o intuito de retomar a relação amistosa entre os dois países.

Em maio, os Estados Unidos chegaram a anunciar mudanças nos procedimentos da NSA. Em janeiro Barack Obama também anunciara outras mudanças, prometendo proteção à privacidade de cidadãos e nações amigas.

Biden também manteve reunião com o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, sem a presença da imprensa. Entre os temas tratados pelos representantes do Brasil e dos EUA estiveram, ainda, a situação na Venezuela e novas estratégias para fazer avançar cooperação comercial, atualmente na casa dos 100 bilhões de dólares.

Agenda regional
Joe Biden está no país desde o início da semana e acompanhou a vitória da seleção dos EUA sobre Gana, em Natal. Animado com a seleção americana, disse que trouxe a neta e o sobrinho para acompanharem os jogos no Brasil. "Isso me faz o melhor avô da família", brincou.

Depois das reuniões em Brasília, a comitiva norte-americana segue para Colômbia, onde se encontrará com o presidente Juan Manuel Santos.

Em seguida, Biden viaja para a República Dominicana, onde será recebido pelo presidente Danilo Medina. A última estação do giro do vice-presidente será a Guatemala: de sua agenda constam cooperação regional, segurança e negociações bilaterais.

  • Autoria Ericka de Sá, de Brasília
  • Edição Augusto Valente