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EUA congelam cooperação militar e negociações econômicas com a Rússia

por Deutsche Welle publicado 04/03/2014 11h12
Após o anúncio de que os americanos suspenderam a cooperação militar com a Rússia, jornal noticia que também o estreitamento dos laços econômicos foi deixado de lado.
DIMITAR DILKOFF / AFP
John Kerry

O secretário de Estado dos EUA John Kerry chega em Kiev, onde reforçará o apoio americano ao governo interino da Ucrânia

O governo dos EUA suspendeu nesta terça-feira 4 as negociações para estreitar os laços comerciais com a Rússia. A medida foi anunciada horas depois de a Casa Branca ter interrompido também a cooperação militar com o Kremlin, numa medida para pressionar Moscou a retirar suas tropas da Crimeia.

"Devido aos últimos acontecimentos na Ucrânia, suspendemos as negociações bilaterais – com a Rússia – sobre comércio e investimento, que estavam estabelecidas para estreitar os nossos laços comerciais", disse Michael Froman, representante do Departamento de Comércio Exterior, ao The Wall Street Journal.

Horas antes, o Pentágono emitiu uma nota na qual pedia à Rússia que contribuísse com a solução da crise política ucraniana. "Nós pedimos à Rússia que diminua a crise na Ucrânia e que as forças russas na Crimeia retornem às suas bases", afirmou, em nota, o contra-almirante John Kirby, porta-voz do Pentágono.

Kirby, porém, descartou a possibilidade de ações militares para pressionar a Rússia e assegurou que a estratégia militar americana para a região continua a mesma. "Alguns veículos de imprensa estão especulando sobre uma possível movimentação de navios na região", afirmou. "Não houve nenhuma mudança na nossa postura militar na Europa ou no Mediterrâneo."

O presidente dos EUA, Barack Obama, já havia alertado que seu governo avaliaria uma série de sanções econômicas e diplomáticas para isolar Moscou.

O Comitê de Relações Exteriores do Senado americano já está trabalhando num pacote de leis que apoiem a Ucrânia e consultou a Casa Branca sobre possíveis sanções a indivíduos russos. Estas iriam desde a proibição de vistos até o congelamento de bens.

Nesta segunda-feira, o secretário de Estado John Kerry viajou para Kiev, onde reforçará o apoio americano ao governo interino da Ucrânia.

Em Genebra, o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, disse que não foi possível encontrar uma solução para a crise após uma "difícil, longa e séria" conversa com o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov.

Resposta russa

Um funcionário do Kremlin respondeu às ameaças de Washington afirmando que, caso os EUA decidam impor sanções à Rússia, o governo de Vladimir Putin poderia implementar medidas que causariam a quebra do sistema econômico americano.

"Nós encontraríamos uma maneira de não apenas reduzir a zero a nossa dependência dos EUA, mas também de sair dessas sanções com grandes benefícios para nós", disse Serguei Glazyev, conselheiro econômico do Kremlin, à agência de notícias RIA Novosti.

"Uma tentativa de anunciar sanções terminaria numa quebra do sistema financeiro dos EUA, o que causaria o fim da dominação americana no sistema financeiro global."

Edição Alexandre Schossler

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