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EUA acusam Rússia de enviar helicópteros de ataque à Síria

por Redação Carta Capital — publicado 12/06/2012 17h42, última modificação 06/06/2015 17h37
Até aqui, a Rússia dizia que suas exportações de armas não poderiam ser usadas para reprimir manifestações civis
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Carro com observadores da ONU passa pelo mercado al-Midan, em Damasco, capital da Síria. Foto: AFP

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, acusou nesta terça-feira 12 a Rússia de enviar helicópteros de ataque para o governo do ditador Bashar al-Assad, na Síria, um ato que, segundo ela, provocará uma "escalada dramática" no conflito sírio. A acusação de Hillary Clinton se deu num dia em que as possibilidades de uma redução do conflito ficaram ainda menores. Também nesta terça-feira, as Nações Unidas classificaram, pela primeira vez, os confrontos como uma "guerra civil" e as tropas de Assad foram acusadas de usar crianças como escudos-humanos no combate aos rebeldes.

As acusações de Hillary Clinton foram feitas em evento do instituto Brookings, em Washington. "Nós confrontamos os russos sobre sua contínua venda de armas para a Síria", disse. "Eles têm dito que não devemos nos preocupar, que tudo o que estão exportando não tem relações com as ações internas sírias, mas isso é patentemente não verdadeiro, e estamos preocupados com as últimas informações de que helicópteros de ataque estão a caminho da Rússia para a Síria", afirmou Hillary. O governo russo, principal aliado da Síria, tem impedido ações do Conselho de Segurança da ONU contra o governo Assad e não nega o fato de estar exportando armas para a Síria. A desculpa de que os armamentos não poderiam ser usados contra a repressão civil, entretanto, pode estar indo por água abaixo caso a acusação do governo americano seja comprovada.

Também nesta terça-feira, o chefe das forças de paz das Nações Unidas, Herve Ladsous, disse que o conflito na Síria atingiu o nível de guerra civil. Perguntado se acreditava que a Síria estava em guerra civil, Ladsous afirmou a um pequeno grupo de repórteres: "Sim, acho que podemos dizer isso. Claramente o que está acontecendo é que o governo sírio perdeu grande parte do seu território, diversas cidades, para a oposição e quer recuperar o controle". "Há um aumento significativo do nível de violência", acrescentou Ladsous.

Crianças de oito anos viram escudos-humanos

Também nesta terça, um relatório da ONU acusou as tropas aliadas a Assad de torturarem, mutilarem, estuprarem e assassinarem crianças, e também de utilizarem algumas de até 8 anos como "escudos humanos" durante ataques militares contra os rebeldes. As Nações Unidas classificaram o governo da Síria como um dos piores em sua "lista da vergonha" anual de países em conflito nos quais as crianças são assassinadas, torturadas ou forçadas a combater.

Organizações de direitos humanos estimam que cerca de 1.200 crianças morreram nos 15 meses de revolta contra Assad, cuja brutal repressão foi condenada pela comunidade internacional. "Raras vezes vi uma brutalidade semelhante contra crianças como na Síria, onde meninas e meninos são presos, torturados, executados e utilizados como escudos humanos", disse à AFP Radhika Coomaraswamy, representante especial da ONU para crianças em conflitos armados, antes da apresentação do relatório.

As forças governamentais da Síria capturaram dezenas de crianças de oito a treze anos antes de realizar um ataque no povoado Ayn Aruz, na província de Idlib (noroeste), no dia 9 de março, afirma o relatório. As crianças foram "utilizadas pelos soldados e membros do exército como escudos humanos, colocando-as em frente às janelas dos ônibus que transportavam militares para realizar o ataque ao povoado", disse. Apoiando-se em testemunhos de pessoas que estiveram no local dos incidentes, o relatório da ONU afirma que o exército sírio, assim como os serviços de inteligência e a milícia shabiha, partidária de Assad, isolaram o povoado para realizar um ataque que durou quatro dias. Entre os 11 mortos do primeiro dia, havia crianças de 15 a 17 anos. Outras 34 pessoas, entre elas duas crianças de 14 e 16 anos, foram presas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o relatório revelou uma das muitas "violações graves" de direitos humanos realizadas contra crianças.

O relatório foi finalizado antes do massacre de Houla (centro), no dia 25 de maio, no qual 49 das 108 vítimas parecem ter sido crianças, algumas de dois e três anos, mortas por tiros na cabeça ou cujos crânios foram brutalmente atingidos.

Observadores da ONU são atacados

Os observadores da ONU mobilizados na Síria afirmaram também nesta terça-feira que três de seus veículos foram "alvejados por tiros" perto da cidade de Al-Hafa, na província de Latakia (noroeste). "Os observadores da ONU que tentavam ir para Al-Hafa enfrentaram uma multidão furiosa que cercou os veículos, impedindo que prosseguissem seu caminho. Essa multidão, que parece ser composta por habitantes da região, lançou pedras e barras de ferro nos carros da ONU", indicou a missão de supervisão da ONU na Síria (Misnus) em um comunicado. "Os observadores recuaram. Três veículos da ONU foram alvos de disparos quando se dirigiam em direção à região de Idlib", mais ao norte, acrescentou o comunicado. "A origem dos tiros ainda não foi esclarecida", afirma.

"Todos os observadores estão em suas bases e ilesos", prosseguiu o comunicado, que indica que os observadores "têm tentado desde 7 de junho ir até Al-Hafa, mas foram impedidos pela violência que continua na região". Pouco antes, o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, disse que moradores do vilarejo próximo a Chir, que apoiam o regime, "impediram" os observadores da ONU de chegar a Al-Hafa deitando na estrada.

As forças do regime bombardearam violentamente esta localidade da província de Latakia, provocando temores de um novo massacre. O OSDH relatou "dezenas de feridos, alguns em estado grave" nesta terça-feira nos bombardeios, que foram iniciados há uma semana por forças do governo, que querem assumir o controle da região. Já a agência de notícias oficial do governo sírio, a Sana, acusou os observadores da ONU de atropelarem moradores de Chir, "ferindo três deles".

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