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EUA: regime sírio usa armas químicas contra rebeldes

por Redação — publicado 14/06/2013 12h14, última modificação 14/06/2013 12h59
Conselheiro americano alertou para possível ação militar. Segundo jornal, militares propuseram implementar zona de exclusão aérea na Síria
DANIEL LEAL-OLIVAS/ AFP PHOTO
síria  afp

Prédios em ruínas depois de confrontos entre rebeldes e forças sírias na cidade de Maaret al-Numan, na Síria

Os Estados Unidos acusaram, pela primeira vez, o regime sírio de recorrer a armas químicas contra os rebeldes, a quem prometeram ajuda militar. Na acusação de quinta-feira 13, os EUA afirmaram ter provas de que o regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, usou armas químicas contra as forças opositoras.

O governo de Assad negou as acusações e as classificou de "mentiras de Washington". Segundo o regime, as informações estão "baseadas em informações fabricadas" para tentar "fazer o governo sírio assumir a responsabilidade pelo uso" de armas químicas.

A Rússia, aliada do regime de Assad, também considerou as acusações americanas pouco convincentes e disse que a decisão de aumentar a ajuda aos insurgentes é uma atitude pouco favorável à paz.

O regime sírio já havia acusado em março os rebeldes de recorrerem a armas químicas na região de Aleppo, norte do país, e rejeitou uma investigação da ONU sobre armas químicas no conjunto do território sírio.

Na quinta-feira 13, Ben Rhodes, conselheiro-adjunto de segurança nacional do governo de Barack Obama, afirmou que os serviços de inteligência americanos chegaram à conclusão de que o regime de Assad "utilizou armas químicas, entre elas gás sarin, em pequena escala, contra a oposição em múltiplas ocasiões durante o ano". Em comunicado, Rhodes disse também que entre 100 e 150 pessoas morreram em ataques com armas químicas, segundo estimativas do governo americano.

"O presidente disse claramente que o uso de armas químicas, ou a transferência de armas químicas a grupos terroristas, é uma linha vermelha para os Estados Unidos", explicou o Rhodes sobre o que seria o estopim para uma possível ação militar dos EUA.

Zona de exclusão aérea

Rhodes acrescentou que a Casa Branca não tomou uma decisão sobre a imposição eventual de uma zona de exclusão aérea, exigida pela oposição para enfrentar a força aérea síria.

Mas, segundo The Wall Street Journal, militares americanos propuseram implementar uma pequena zona de exclusão aérea, que cobriria os campos de treinamento dos insurgentes. A zona avançaria 40 km em direção ao interior da Síria e seria, de fato, vigiada por aviões artilhados com mísseis terra-ar.

Especialistas militares advertem há tempos que uma zona de exclusão aérea poderia requerer a destruição de boa parte das defesas da Síria por parte de aviões ocidentais. Mas, de acordo com o jornal americano, os autores do plano creem que a zona de exclusão pode vir a ser imposta no prazo de um mês sem ter de destruir as baterias antiaéreas sírias. A decisão poderia, inclusive, ser tomada sem uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, uma vez que os aviões americanos não entrariam regularmente no espaço aéreo sírio e os militares americanos “não interfeririam” no território do país.

Investigação

O secretário-geral da Organização do Tratado do Altântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, pediu às autoridades sírias  permitirem que a ONU investigue as acusações de uso de armas químicas.

A União Europeia afirmou que as novas acusações "tornam mais necessária a mobilização de uma missão de verificação das Nações Unidas na Síria", disse Catherine Ashton, a chefe da diplomacia europeia.

O conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, considerou as acusações dos Estados Unidos de "não convincentes". "O que os americanos apresentaram não nos parece convincente", afirmou. Segundo ele, a decisão americana de aumentar a ajuda aos rebeldes complicará os esforços de paz, referindo-se à conferência internacional sobre a Síria que Moscou e Washington tentam organizar há várias semanas.

Desde o início do conflito sírio, em março de 2011, mais de 93 mil pessoas perderam a vida, de acordo com o último balanço da ONU, similar ao do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Entre os falecidos, há ao menos 6,5 mil crianças.

*Com informações da AFP