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Suécia

Estocolmo vive quarto dia seguido de distúrbios

por Redação — publicado 23/05/2013 11h20, última modificação 23/05/2013 11h37
Morte de idoso pela polícia desencadeia onda de violência em bairros de maioria imigrante na capital sueca e renova debate sobre política de integração no país. Premiê diz que tumultos são vandalismo
Jonathan Nackstrand/ AFP
suécia

Carros estão em chamas desde o início dos distúrbios na capital sueca

Desde a madrugada de quarta-feira 22, os subúrbios de Estocolmo viraram campos de batalha com carros queimados, enfrentamentos entre manifestantes e policiais e dezenas de detenções. Nesta quinta-feira 23, os distúrbios completam quatro dias consecutivos e levantam questionamentos sobre as políticas de integração de imigrantes na Suécia. O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, classificou os eventos como atos de vandalismo.

Os tumultos começaram em Husby – bairro onde 85% dos 12 mil habitantes são imigrantes ou filhos de estrangeiros – e logo se espalharam pelos arredores. O estopim foi a morte, no domingo, de um homem de 69 anos pela polícia. Ele foi morto a tiros após supostamente ter ameaçado os policiais com uma faca.

"A Suécia é um país que recebe grandes grupos de imigrantes, e existe naturalmente um período de transição entre diferentes culturas", disse Reinfeldt. "Mas é importante lembrar que queimar carros não é um exemplo de liberdade de expressão e sim de vandalismo". Em 2012, 23% dos 880 mil habitantes da capital Estocolmo era composta de imigrantes. O mesmo percentual se repetia em Gotemburgo, a segunda cidade mais importante do país.

A polícia abriu uma investigação sobre a morte do idoso, mas não evitou que os distúrbios se espalhassem. Até a manhã desta quinta, mais de cem carros, uma enfermaria e uma escola haviam sido queimados, além das várias casas e lojas, que tiveram suas fachadas depredadas. A imprensa local estima o número de detenções em mais de 20.

Moradores de Husby acusam a polícia de usar violência e insultos racistas contra crianças. A associação Megafon, que trabalha com grupos de jovens imigrantes, atribuiu os distúrbios à sensação de abandono experimentada nos bairros de maioria estrangeira, onde os índices de desemprego entre jovens chegam a 20%.

Críticas à política migratória

A violência renovou o debate sobre a situação dos estrangeiros na Suécia. O partido anti-imigrante Democratas Suecos atribuiu os distúrbios a uma política "migratória irresponsável".

"Nunca antes foi gasto tanto dinheiro nos bairros de maioria imigrante como hoje", disse Jimmie Aakesson, líder do partido. Seus argumentos foram reforçados por Richard Jomshof, porta-voz da legenda: "Em Husby, a relação de professores por estudantes é extremamente alta. Há novas bibliotecas, e os centros de apoio aos jovens ficam abertos por um tempo generoso."

Em 2007, as autoridades lançaram um programa de reabilitação dos subúrbios menos favorecidos de Estocolmo, mas a taxa de desemprego dos jovens nessas áreas continua a ser uma das mais elevadas da Suécia. "Integração é um de nossos principais objetivos sociais, como venho dizendo nos últimos anos", afirmou o ministro da Integração, Erik Ullenhag. "Mas a questão, no momento, é policial."

A Suécia é o país onde os imigrantes enfrentam a maior taxa de desemprego da Escandinávia. No país, 16,5% dos imigrantes estão sem emprego, enquanto apenas 5,7% de suecos enfrentam a mesma situação. No início da crise financeira, em 2008, manifestantes em Rosengaard no sul da cidade de Malmoe já haviam entrado em confronto com a polícia depois de atear fogo em carros e caixas.

Os distúrbios também remetem à onda de violência que se instalou em 2005 em bairros periféricos da França – após a morte de jovens eletrocutados quando fugiam da polícia – e em 2011 nos subúrbios de Londres – depois da morte de um homem de 29 anos pela polícia.

Com informações da Deustche Welle

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