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Escândalo que derrubou chefe da CIA envolve outro general americano

por Redação Carta Capital — publicado 13/11/2012 10h27, última modificação 13/11/2012 10h27
John Allen, comandante das forças da Otan no Afeganistão, trocou mensagens com uma mulher vista como rival pela amante de Petraeus
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John Allen em 10 de outubro: o FBI teria descoberto quase 30.000 páginas de correspondência entre Allen e Jill Kelley. Foto: Thierry Charlier / AFP

A investigação do FBI que provocou a demissão do general da reserva David Petraeus, até a semana passada chefe da CIA (a principal agência de Inteligência dos Estados Unidos), chegou a mais um importante general das Forças Armadas dos Estados Unidos. Segundo afirmou uma fonte do Departamento de Defesa, o general John Allen, comandante das forças da Otan no Afeganistão, é objeto de uma investigação por ter enviado mensagens "inapropriadas" a uma mulher vinculada ao escândalo envolvendo Petraeus.

A fonte do Pentágono disse à imprensa que o FBI descobriu quase 30 mil páginas de correspondência entre Allen e Jill Kelley e que existe uma "clara possibilidade" de as mensagens eletrônicas de Allen estarem vinculadas ao caso Petraeus. A queda do comandante da CIA teve início quando Kelley, uma civil que atuava como contato dos militares na cidade de Tampa, na Flórida, denunciou ao FBI uma série de e-mails com ameaças. As mensagens partiram de Paula Broadwell, uma ex-major americana, biógrafa de Petraeus, que era também amante do ex-chefe da CIA, como descobriu o FBI ao investigar o caso.

De acordo com o jornal The New York Times, funcionários da administração americana que conhecem o caso afirmam que Paula Broadwell via Jill Kelley como uma rival pela atenção de Petraeus. Até aqui, não se sabe qual era o relacionamento entre Allen e Kelley, mas é provável que os dois tenham se conhecido em Tampa, onde o general trabalhou até julho de 2011, como segundo na hierarquia do Comando Central, o órgão que supervisiona as operações militares americanas no Oriente Médio.

A renúncia de Petraeus deixou os políticos americanos em alerta. A queda do general ocorreu em meio às investigações sobre o trabalho da CIA após o ataque ao consulado americano em Benghazi (leste da Líbia), que matou o embaixador Chris Stevebs e três funcionários americanos.

Alguns políticos temem que a segurança nacional esteja em perigo, já que Broadwell teve acesso a informações confidenciais. Devido a isso, agentes do FBI já estiveram e revistaram a casa da ex-major.

Brilhante, elegante, confiante, ambiciosa: tudo parecia no lugar certo para Paula Broadwell. Esta morena de 40 anos e currículo impecável, casada com um radiologista e mãe de dois filhos, ex-major do Exército dos Estados Unidos, graduada em Harvard e na Academia Militar de West Point, se tornou especialista em combate ao terrorismo.

Foi ao escrever a biografia do chefe da CIA, um dos generais mais prestigiados da história recente americana, que os dois iniciaram uma relação que acabou com a carreira e manchou a reputação de Petraeus. Os Estados Unidos se perguntam: Qual era a verdadeira natureza de seu relacionamento com Petraeus? Por que chegou a enviar e-mails ameaçando uma segunda mulher, que era vista como uma potencial rival?

A origem do relacionamento de Petraeus e Broadwell

"Paixão. Intensidade. Perspicácia. Três palavras simples que refletem apenas parcialmente a complexidade de Paula Kranz, formada em 1991", escreveu sua antiga escola em Bismarck (Dakota do Norte) em seu site.

A jovem Paula é apaixonada pela arte da guerra e pela resolução de conflitos. Primeiro na prestigiosa academia militar de West Point, e depois na não menos reconhecida Universidade de Harvard, onde estudou administração pública.

Em 2006, o general Petraeus fez uma apresentação para os alunos. A ambiciosa e audaciosa Paula aproveitou a chance. "Eu me apresentei a ele, que era o então general do Exército, conversei sobre temas de minha pesquisa", escreveu Paula na biografia do general de quatro estrelas: All In: The Education of General Petraeus (não traduzida). Um best-seller nos Estados Unidos desde seu lançamento no início de 2012.

O oficial entregou seu cartão a ela e se ofereceu para colocá-la em contato com outros pesquisadores, de acordo com o Washington Post. Dois anos depois, ela decidiu focar sua pesquisa no estilo de comando do general, antes de embarcar em sua biografia. Multiplicou assim suas entrevistas e passou um ano no Afeganistão. "Eu achei que seu relacionamento com ele era desconcertante", testemunhou um ex-colaborador do general, citado pelo jornal.

Já outros se disseram surpresos que uma mulher como Paula Broadwell pudesse manter um relacionamento adúltero com Petraeus. "Este não é o tipo de Paula Broadwell, realmente não", declarou David Bixler, um soldado que a conheceu através de uma fundação de caridade.

Broadwell, que vive em Charlotte (Carolina do Norte) com sua família, não apareceu em público desde que o escândalo estourou, causando a demissão de Petraeus na sexta-feira. Ele admitiu "uma enorme falta de julgamento por se envolver em um relacionamento extraconjugal." Ironia do destino, o último artigo de Paula Broadwell publicado na revista dominical Newsweek há poucos dias foi intitulado de "As regras de vida do general David Petraeus".

"Nós cometemos todos os erros", indica uma de suas regras. "O importante é reconhecer e admitir, tirar lições, parar de olhar pelo retrovisor, continuar o seu caminho e evitar repetir os erros".

A carreira de Paula Broadwell também pode ter sido prejudicada. Um órgão de imprensa americano não hesitou em batizá-la de "Lewinsky do Pentágono", em referência a ex-secretária da Casa Branca, Monica Lewinsky, que teve um relacionamento com o ex-presidente Bill Clinton. Steve Boylan, amigo e ex-porta-voz de Petraeus, afirmou que o general lamenta o relacionamento extraconjugal, iniciado dois meses depois de ter assumido o comando da CIA, em setembro de 2011 e que o romance já havia terminado há quatro meses.

Com informações da AFP. Leia mais em AFP Móvil