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Equador

Correa diz que limpará polícia após rebelião

por Opera Mundi — publicado 01/10/2010 09h14, última modificação 06/06/2015 18h17
O protesto da Polícia Nacional do Equador, estopim da escalada das tensões, foi contra uma projeto de lei aprovado na última quarta-feira pela Assembleia Nacional
Equador: Correa diz que limpará polícia após rebelião

Por volta das 21h de ontem no horário local (23h em Brasília), uma força militar invadiu o hospital onde o presidente estava sequestrado por cerca de oito horas e o resgatou. Já no palácio presidencial pronunciou discurso para a multidão presente. Foto: AFP

Por Daniella Cambaúva*

Após operação do Exército para o resgate do presidente do Equador, Rafael Correa – retido no Hospital da Polícia Nacional de Quito –, dois policiais morreram, informou a Cruz Vermelha Equatoriana nesta sexta-feira (1º/9). O presidente, que discursou à nação logo após sua libertação, disse que não perdoará "os golpistas" e que fará uma limpeza na corporação.

Até o momento, foi divulgado apenas o nome do sargento Floilán Jiménez, segundo a agência de notícias equatoriana Andes. O porta-voz da Cruz Vermelha, Fernando Gandarillas, afirmou que a organização atendeu 88 situações de emergência em todo o país, sendo 82 na capital, onde os confrontos se concentraram. A maioria dos casos era de asfixia por gás lacrimogêneo e traumatismos.

Por volta das 21h de ontem no horário local (23h em Brasília), uma força militar invadiu o hospital onde o presidente estava sequestrado por cerca de oito horas e o resgatou. Em seguida, Correa foi levado para o palácio presidencial onde pronunciou discurso para uma multidão que o aguardava.

Na operação de resgate, houve troca de tiros entre os militares e os policiais rebelados. No total, 35 oficiais do exército e 500 efetivos, 300 de Forças Especiais e 200 de outras unidades das forças armadas, atuaram na operação, de acordo com o comandante das Forças Especiais Luis Castro.

Sem perdão - No palácio, Correa concedeu uma entrevista coletiva e disse que fará uma “depuração” na polícia nacional – eliminando os maus elementos. Segundo o presidente, o que aconteceu foi uma “traição à confiança do povo equatoriano”. Ele afirmou também que não se tratava apenas de um protesto por suspensão de benefícios para policiais, mas sim de uma conspiração, uma “tentativa fracassada de golpe”.

“Não haverá esquecimento nem perdão”, disse. "O que aconteceu não é por alguns dólares. É uma clara tentativa de conspiração, coordenado com o fechamento do aeroporto, com a tomada das antenas, com a interrupção da TV Equador”, afirmou o presidente na sacada do palácio presidencial.

Motivos - O protesto da Polícia Nacional do Equador, estopim da escalada das tensões, foi contra uma projeto de lei aprovado na última quarta-feira pela Assembleia Nacional. Um dos artigos da legislação prevê reduções nos benefícios salariais da categoria. Para Correa e outros membros do governo, usaram o rechaço à lei como um pretexto para um golpe de Estado.

Durante o dia, o serviço de internet e telefone celular estavam instáveis e os sinais das emissoras de televisão chegaram a ser cortados em alguns momentos. Segundo a imprensa local, vândalos e ladrões aproveitaram os protestos fazer assaltos a bancos e a supermercados.

Ontem à noite, o aeroporto, que havia sido tomado por policiais, retomou suas atividades e funciona normalmente, informou a agência Ansa.

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