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Enrico Letta: o menino prodígio é o novo primeiro-ministro da Itália

por Redação — publicado 25/04/2013 10h35, última modificação 25/04/2013 10h46
Novo primeiro-ministro da Itália é uma das caras jovens da política local. Ele é contra a aposta na austeridade para lidar com a crise
Enrico Letta

Letta durante entrevista coletiva no palácio Quirinale, nesta quarta-feira 24. Ele diz que vai tirar a Itália do caminho da austeridade, que “não é mais suficiente” para lidar com a crise. Foto: Andreas Solaro / AFP

O subsecretário do esquerdista Partido Democrático, Enrico Letta, de 46 anos, foi designado nesta quarta-feira 24 pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, para formar um governo estável na Itália após quase dois meses de bloqueio institucional. Letta é considerado o menino prodígio da política italiana, com uma longa experiência nos últimos governos de centro-esquerda, e pode provocar transformações na Itália capazes de afetarem os rumos da Europa.

Letta é uma escolha pessoal de Napolitano. Ao aceitar ser reeleito, o presidente, a figura mais respeitada da política italiana, aparentemente deixou claro aos partidos que os rumos do país ocorreriam segundo seus termos. Em suas primeiras declarações à imprensa, Letta mostrou que vai combater a política de austeridade capitaneada pela Alemanha. “Pedirei à União Europeia que modifique a linha política de excessiva atenção à austeridade, porque não é suficiente” para acabar com a crise econômica, declarou Letta.

Para manter a estabilidade política na Itália, Letta terá, além do apoio de seu partido, a confiança do Povo da Liberdade, maior partido de centro-direita da Itália, comandado pelo magnata das comunicações Silvio Berlusconi. A curiosa ligação de Letta com Berlusconi se dá por meio de seu tio, Gianni Letta, o principal assessor de Berlusconi.

O governo Letta deverá ser formado por membros de todo o arco político, com exceção do Movimento Cinco Estrelas do comediante antissistema Beppe Grillo, do controverso partido contrário à imigração Liga Norte e da extrema esquerda do SEL (Esquerda, Ecologia e Liberdade). A princípio, o governo será formado por apenas 12 ministros.

Menino prodígio

Letta, de 46 anos, provém da finada Democracia Cristã, foi três vezes ministro e é, acima de tudo, uma das personalidades mais jovens do panorama italiano.

De origem toscana, nascido em Pisa no dia 20 de agosto de 1966, Letta conta com uma boa experiência na gestão de um Executivo não apenas como ministro, mas também por ter sido subsecretário de Estado durante o governo de centro-esquerda de Romano Prodi (2006-2008). De 2009 a 2013 foi subsecretário do maior grupo de esquerda do país, o PD, partido vencedor parcial das eleições legislativas do fim de fevereiro. É conhecido por sua prudência e por manter boas relações com todos os grupos políticos.

Formado em Ciência Política na Universidade de Pisa, especializado em Direito da Comunidade Europeia, foi presidente dos jovens democrata-cristãos europeus de 1991 a 1995, depois entrou no Partido Popular Italiano como vice-secretário e posteriormente chegou a ser responsável por economia do grupo moderado católico La Margarita. Em 2004 se apresentou para o Parlamento Europeu com a coalizão de centro-esquerda El Olivo, antes de entrar em 2007 no PD.

Candidato para a direção do PD nas primárias de 2007, Letta perdeu para Walter Veltroni, ex-prefeito de Roma e líder histórico da esquerda. Autor de vários livros, muito prudente diante das reformas, entre elas a do aborto e do casamento homossexual, é considerado um católico moderado.

Casado e pai de três filhos, em uma entrevista ao jornal Il Corriere della Sera confessou que seu personagem favorito é Dylan Dog, o herói das histórias italianas famoso pela “inteligência e amabilidade com as mulheres”.

Com informações da AFP

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