Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Encontro com os Quillasingas

Internacional

Cultura Quillasinga

Encontro com os Quillasingas

por Rota Inca — publicado 28/07/2010 14h20, última modificação 10/08/2010 14h25
Direto da Rota Inca 2009, Vitor Taveira conta como foi a recepção no Cabildo Indígena Quillasinga, organização comunitária autônoma das tribos colombianas

Direto da Rota Inca 2009, Vitor Taveira conta como foi a recepção no Cabildo Indígena Quillasinga, organização comunitária autônoma das tribos colombianas
Os jovens expedicionários da Rota Inca 2009 foram recebidos pelo Cabildo Indígena Quillasinga. Trata-se de uma organização comunitária autônoma das tribos, mas o nome faz referência ao antigo modelo administrativo dos tempos da colônia espanhola. E não é só na política que se mescla o ancestral com o moderno.

Os sinais de sincretismo religioso também são facilmente encontrados em muito da cultura indígena. Inicialmente os estudantes foram recebidos e purificados com incenso á entrada do Cabildo. A cerimônia de abertura da sessão se dá por um ritual de passagem de bastões entre as lideranças e pedidos de benção a Virgem Maria e a Pachamama, a Terra Mãe dos povos indígenas. O ambiente inclui tanto imagens de santos católicos como figuras originárias da espiritualidade andina.

O governador do Cabildo Indígena Camilo Gualguan explica que os espanhóis chegaram com seus costumes, língua e religião, proibindo que os indígenas utilizassem as suas próprias. Hoje os Quillasingas já não falam seu idioma e acreditam em um Deus criador, mas também crêem na espiritualidade da terra, admirando elementos como o sol, a lua e a água. Cerimônias como casamentos e funerais seguem os rituais ocidentais. “São mais de 500 anos de submissão, é difícil dizer aos antigos que não creiam no catolicismo” afirma Gualguan.

Apesar disso muitas tradições seguem vivas, especialmente através da oralidade passada dos mais velhos aos mais jovens. Uma delas é a Yaguasca, cerimônia em que os indígenas consumem uma bebida alucinógena que representa sua entrada no mundo dos deuses e comunicação com eles.

O governador destaca a importância da integração com outras comunidades indígenas: “A América Índia ainda existe e luta para manter sua cultura na sociedade global.” Segundo ele cerimônias como os festejos do dia do sol em 21 de junho de cada ano lhes conecta espiritualmente com outros povos, uma vez que tribos de diferentes lugares celebram em agradecimento ao sol e a terra.

Os jovens participantes da Rota Inca puderam conhecer de perto a cultura Quillasinga durante essa visita. Não faltaram perguntas sobre diferentes assuntos como papel da mulher na comunidade, homossexualismo, comidas típicas, cotidiano, educação, ritos tradicionais, entre outros. Satisfeita a curiosidade, o encontro terminaria como é quase tradição em todas as visitas dos expedicionários a comunidades: música e dança típicas, anfitriões e visitantes juntos no mesmo baile.

registrado em: