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Em ponto de bala

por Redação Carta Capital — publicado 03/02/2012 10h40, última modificação 03/02/2012 10h40
A violência no futebol é sintoma da ansiedade pelo futuro político
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O confronto entre duas torcidas resultou em 74 mortes e mais de mil feridos. Foto: AFP

Após as eleições que deram 74% dos assentos na Câmara a partidos islâmicos, sobram as tensões entre os fundamentalistas com ampla maioria, mas não o poder, a junta militar reticente sobre como e quando o entregará, os partidários do antigo regime empenhados em recuperar influência e os liberais e esquerdistas que deflagraram a revolução e hoje se sentem traídos.

Sintoma dessas inquietações foi a briga entre as torcidas de dois times de futebol, o Al-Masry, de Port Said, e o Al-Ahly, do Cairo.

Após uma rara vitória do primeiro, que jogou em casa, contra o segundo, seguiu-se um confronto no qual 74 morreram e mais de mil foram feridos.

A Irmandade Muçulmana culpa os mubarakistas. Populares dizem que a polícia cruzou os braços e permitiu o massacre para se vingar da participação da torcida organizada do Al-Ahly na rebelião contra Mubarak.

Torcedores responsabilizam diretamente o marechal Tantawi pela catástrofe na internet e nas ruas e são reprimidos pela polícia.

Três jogadores do Al-Ahly, também integrantes da seleção, protestaram anunciando que abandonarão o futebol profissional. Fábio Júnior, jogador brasileiro do mesmo time, -culpa tanto o fanatismo das torcidas quanto a indiferença da polícia.

O campeonato foi suspenso e foram destituídos o governador de Port Said, seus chefes de segurança e a cúpula da federação de futebol, enquanto se investiga a briga que se tornou crise política.

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