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Em mensagem de Páscoa, papa Francisco pede paz na Síria e nas Coreias

por AFP — publicado 31/03/2013 10h55
O pontífice condenou os conflitos no Oriente Médio, África e Ásia
papa

O papa Francisco celebra missa na Praça de São Pedro. Foto: ©afp.com / Vincenzo Pinto

O papa Francisco pediu neste domingo uma solução política para a Síria, onde os "refugiados estão esperando ajuda e consolo", e também apelou para que as duas Coreias superem as divergências, em sua primeira mensagem de Páscoa a partir do balcão da Basílica de São Pedro diante de dezenas de milhares de pessoas.

Em sua segunda mensagem "urbi et orbi", após a realizada no dia de sua eleição, em 13 de março, o primeiro pontífice latino-americano se pronunciou pela primeira vez contra os conflitos sangrentos que assolam o planeta.

"Vamos pedir a Jesus ressuscitado que transforme a morte em vida, o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz", resumiu Francisco do balcão da Basílica de São Pedro diante de cerca de 250 mil pessoas.

Cumprindo com a tradição do domingo de Páscoa, Francisco condenou os conflitos no Oriente Médio, África e Ásia.

O apelo mais significativo foi feito às duas Coreias, depois que no sábado a Coreia do Norte declarou estado de guerra contra a Coreia do Sul, em uma nova ameaça que gera uma onda de reações e chamados à moderação para evitar uma catástrofe nuclear na região.

"Paz na Ásia, sobretudo na península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação", disse.

O Papa evitou mencionar especificamente os problemas da América Latina, sua região, mas condenou muitos dos males que a assolam, entre eles o tráfico de drogas e de pessoas e a cobiça, com suas consequências sociais.

"Paz a todo o mundo, ainda tão dividido pela cobiça", clamou o Papa após denunciar "a violência ligada ao tráfico de drogas e à exploração injusta dos recursos naturais", assim como o "tráfico de pessoas, a maior escravidão do século XXI", disse.

O pontífice, que respeitou o texto preparado e falou apenas em italiano, condenou os "que buscam lucros fáceis" e o "egoísmo que ameaça a vida humana e a família".

O Papa repassou as situações mais sangrentas, especialmente a da Síria, para a qual pediu uma solução política diante dos muitos "refugiados que estão esperando ajuda e consolo".

"Quando sangue derramado! E quanta dor ainda será causada, antes que se consiga encontrar uma solução política para a crise?", lamentou.

Francisco também pediu a paz entre israelenses e palestinos, e sugeriu "que retomem as negociações com determinação e disponibilidade, com o objetivo de colocar fim a um conflito que já dura muito tempo".

Também apelou para um fim definitivo da violência no Iraque e condenou os conflitos no Mali e na Nigéria, "onde muitas pessoas, incluindo crianças, estão sendo reféns de grupos terroristas", ao mencionar quatro menores franceses sequestrados.

Pediu paz para a República Democrática do Congo e para a República Centro-Africana, "onde muitos se veem obrigados a abandonar seus lares e ainda vivem com medo", disse.

O Papa começou sua mensagem "urbi et orbi" anunciando a ressurreição de Cristo e esperando que a mensagem de esperança chegue, sobretudo, "onde há mais sofrimento, nos hospitais, nas prisões...".

O ex-arcebispo de Buenos Aires, de 76 anos, cumpriu uma pesada agenda na primeira Semana Santa que preside desde que assumiu o trono de Pedro, durante a qual ilustrou com simplicidade os pontos-chave da mensagem de Cristo, sua opção pelos pobres e a necessidade de uma Igreja mais humilde.

Francisco, que neste domingo voltou a atrair uma multidão, saudou cada um dos cardeais presentes na missa de Ressurreição e percorreu o local em um jipe branco para abraçar fiéis e acariciar doentes reunidos na Praça, que estava decorada com 40.000 flores doadas pela Holanda.

Após a Semana Santa, o novo Papa deverá começar a trabalhar na reforma interna da Cúria Romana, o que pode significar um tipo de revolução pacífica depois das críticas e polêmicas que desacreditaram nos últimos anos a milenar instituição.

Com pequenos gestos e grandes palavras, o Papa iniciou uma série de mudanças, entre elas a surpresa neste domingo de não desejar "Boa Páscoa" em 65 idiomas, como faziam seus antecessores e como estava previsto.

 

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