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Internacional

Costa Concordia

Em gravação, comandante se nega a auxiliar resgate

por Redação Carta Capital — publicado 18/01/2012 09h32, última modificação 18/01/2012 11h22
Conversa telefônica com capitão da costa flagra comandante de cruzeiro que naufragou na sexta-feira ao abandonar o navio e deixar para trás vítimas do acidente
navio

O comandante do navio de cruzeiro "Costa Concordia", cujo naufrágio na sexta-feira causou a morte de 11 pessoas e 20 desaparecidos, foi libertado durante a noite e levado a Meta di Sorrento, no sul da Itália, onde cumprirá prisão domiciliar, informou a imprensa italiana. Foto: Andreas Solaro/AFP

 

Em gravação de conversa telefônica com o Capitão da Guarda Costeira de Livorno, Gregorio de Falco, Francesco Schettino, comandante da embarcação italiana Costa Concordia que naufragou na sexta-feira, se recusa a retornar ao navio e auxiliar o resgate. Schettino está em prisão domiciliar. Com a divulgação do áudio, a situação dele se complica ainda mais.

Na conversa, De Falco ordena que o comandante retorne à embarcação, depois de se salvar em uma lancha e ajude no resgate a bordo. Mas Schettino reluta em obedecer. “Olha, Schettino, você pode ter se salvado, mas eu vou fazer da sua vida um inferno. Volte para o navio”, diz de Falco. O comandante, já distante do local do maufrágio, afirma que está coordenando o socorro.

“Está coordenando o que daí? Volte para o barco, coordene o socorro a bordo. Você está se recusando?(..) Me diga porque não quer voltar?”, questiona o Capitão. “Não vou porque tem outra lancha parada”, justifica Schettino. “Vá para o barco, é uma ordem. Você declarou abandono do navio, agora quem manda sou eu. Vá para o navio! Fui claro? (...). Está na proa. Anda, já há cadáveres, Schettino”, diz de Falco. “Quantos cadáveres?”, indaga o comandante. “Não sei. Ouvi dizer que há um. Mas é você quem tem de me dizer, Cristo”, responde, visivilmente irritado, de Falco.

 

Na terça-feira 17, Schettino prestou depoimento e negou que tivesse abandonado o navio. Na sua versão, ele teria caído no mar. Também alegou que realizou uma manobra em direção a costa que teria salvado milhares de vidas. Mas, segundo as investigações, a operação foi casual e teria possibilitado a entrada de água nos motores, ocasionando o naufrágio.

A conversa telefônica reforça a suspeita de que o comandante estava bêbado no momento do acidente. Se comprovadas as acusações, Schettino pode ser condenado por homicídio culposo múltiplo, naufrágio e abandono do navio ainda com passageiros.

As operações de busca dos desaparecidos foram suspensas nesta quarta-feira 18, indicou à AFP um porta-voz dos bombeiros.

"Os instrumentos (de medida em terra firme) revelaram que o navio se move, estamos avaliando se encontrou um novo ponto de apoio antes de decidir se podemos retomar as operações. Por enquanto, não podemos nos aproximar", declarou o porta-voz, Luca Cari.

Segundo  o porta-voz, os socorristas trabalharam durante toda a noite em busca de possíveis sobreviventes, até às 5h, quando a operação foi suspensa.

Até o momento, foram recuperados 11 cadáveres, dos quais cinco foram identificados.

"Praticamente terminamos de controlar a parte que está fora da água", acrescentou Cari.

Duas equipes de mergulhadores da marinha italiana reiniciaram a exploração da parte submersa do navio, perfurando o casco com mini-cargas explosivas.

A busca se concentra em uma parte situada a 18 metros de profundidade que corresponde ao convés número 4 do navio, onde na terça-feira foram encontrados cinco corpos com coletes salva-vidas.

No convés número 4 estavam as lanchas de salvamento que permitiram salvar a vida de boa parte das 4.229 pessoas - mais de 3.200 turistas e mil tripulantes - que estavam no "Costa Concordia" no moomento do acidente.

O capião de um dos rebocadores que participam dos trabalhos de resgate precisou ser hospitalizado devido ao estresse e à carga de trabalho, disse à AFP Filipo Marini, um porta-voz da guarda-costeira.

Além disso, as equipes se preparam para começar o bombeamento do combustível que ainda se encontra no interior do barco.

"Estamos instalando todo o necessário para começar o bombeamento, mas, por enquanto, não sabemos quando começaremos, isso dependerá das condições do tempo", disse o comandante Cosimo Nicastro, outro porta-voz da guarda-costeira.

As autoridades italianas temem um desastre ecológico se as 2.400 toneladas de combustível que se encontram nos reservadórios do Concordia caiam no mar, nocoração de uma região considerada uma reserva natural.

O navio partiu na sexta-feira às 16H de Civitavecchia, perto de Roma, e se chocou contra uma rocha perto da Ilha de Giglio, na costa da Toscana, antes de naufragar.

*Com informações da AFP

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