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Eleições espanholas

Em crise, Espanha deve levar a direita ao poder

por AFP — publicado 20/11/2011 09h55, última modificação 20/11/2011 10h16
O líder do conservador PP, Mariano Rajoy, de 56 anos, depois das derrotas em 2004 e 2008, afirmou, em comício, que está 'preparado para presidir o governo de todos os espanhóis'
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O líder do Partido Popular, Mariano Rajoy, é o favorito nas eleições deste domingo, na Espanha. Foto: AFP / Cristina Quicler

ADRI, Espanha (AFP) - A Espanha, atingida em cheio pela crise financeira internacional e com mais de cinco milhões de desempregados, deve levar a direita ao poder nas eleições deste domingo. O Partido Popular (PP), conservador, é o favorito ante o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), atualmente no governo.

Trinta e seis milhões de espanhóis foram convocados às urnas para renovar a Câmara e o Senado - estão em disputa os cargos de 350 deputados e de 208 senadores.

As pesquisas mais recentes preveem a derrota dos socialistas, a primeira desde o retorno da democracia ao país. Pelas projeções, eles conseguiriam apenas 112 vagas na Câmara, enquanto que o PP conquistaria entre 192 e 198 – muito acima das 176 cadeiras representativas da maioria absoluta no Congresso.

O candidato socialista e ex-número dois do governo, Alfredo Pérez Rubalcaba, dificilmente poderá reverter essa tendência.

"Só o PSOE pode evitar o poder absoluto da direita", disse Rubalcaba a seus seguidores na sexta-feira, mas as medidas de austeridade aplicadas pelos socialistas - para aplacar uma crise que obrigou o chefe do Executivo, José Luis Rodríguez Zapatero, a adiantar em quatro meses as eleições - trabalham contra.

Congelamento de pensões, aumento na idade de aposentadoria, que passou dos 65 para os 67 anos, corte de 5% nos salários do funcionalismo e aumento de impostos são algumas das iniciativas que fizeram afundar a popularidade dos socialistas, que chegaram ao poder, em 2004, num momento de expansão econômica impulsionada pelo que acabaria se transformando numa bolha imobiliária.

 

"Esta crise devora os que governam, sejam de direita ou de esquerda", comentou Antón Losada, professor de Ciências Políticas da Universidade de Santiago de Compostela, destacando que os socialistas espanhóis podem se converter na próxima vítima da crise, ao compasso dos acontecimentos na Grécia e na Itália.

O líder do PP, Mariano Rajoy, de 56 anos, depois das derrotas em 2004 e 2008, afirmou, em um comício que está "preparado para presidir o governo de todos os espanhóis".

No entanto, o provável futuro chefe de governo terá pouca trégua ante a dura situação econômica da Espanha, pressionada nos últimos dias pelos mercados que elevaram o risco do país (diferença entre o rendimento das obrigações a dez anos da Espanha e da Alemanha) acima dos 500 pontos básicos.

"O novo governo não vai dispor do habitual período de 100 dias de preparação, devendo transmitir suas decisões e anunciar medidas concretas mesmo antes da posse" em janeiro, advertiu Bankinter.

"A prioridade é transmitir mensagem de confiança ao mercado", disse Rajoy, prometendo apresentar rapidamente "um primeiro pacote com as medidas econômicas" para mostrar que a "Espanha leva a sério a questão do déficit público", o que faz prever mais aperto no cinto e, provavelmente, mais protestos.

Na quinta-feira, milhares de estudantes e professores foram às ruas em toda a Espanha contra os cortes realizados na educação. Os médicos também estão mobilizados na Catalunha, para pedir mais recursos para a saúde.

Já o movimento dos "indignados" - que surgiu para reclamar das consequências da crise e para criticar um capitalismo sem limites - conseguiu mobilizar nos últimos dias uma ínfima parte dos milhares que foram às ruas em maio passado.

Tentaram voltar às ruas neste sábado, ocupando alguns de seus lugares emblemáticos, como a cêntrica Puerta del Sol madrilenha.

Dezenas de pessoas faziam pequenas "assembleias" na capital, prevendo, ao longo do dia, realizar representações teatrais e debates políticos.

Em outras cidades espanholas, como Barcelona, dezenas deles também voltaram à praça de Catalunya, onde há seis meses levantaram um acampamento, o mesmo acontecendo em Valladolid (Castilla e León, centro).

 

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