Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Eleições presidenciais e legislativas no Haiti serão supervisionadas por missão da OEA

Internacional

Haiti

Eleições presidenciais e legislativas no Haiti serão supervisionadas por missão da OEA

por Adital — publicado 23/11/2010 10h50, última modificação 23/11/2010 10h53
Mesmo com a grave epidemia de cólera que atinge o país, as eleições deve ocorrer no próximo domingo 28

Mesmo com a grave epidemia de cólera que atinge o país, as eleições devem ocorrer no próximo domingo 28

Karol Assunção *

Daqui a seis dias, haitianos e haitianos irão às urnas para decidir quem será o novo presidente do país e os novos legisladores. Apesar da grave epidemia de cólera, que já matou quase 1.200 pessoas, o pleito deve seguir e com a presença de uma missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA). As eleições haitianas deveriam ter sido celebradas em fevereiro deste ano, mas foram adiadas em virtude da tragédia ocasionada pelo terremoto de 12 de janeiro.
A permanência no Haiti da missão de observação eleitoral foi acordada entre o embaixador Duly Brutus e o secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, para garantir que o pleito do próximo dia 28 seja transparente. De acordo com Insulza, o principal objetivo da missão é "verificar que o processo se desenvolva dentro das normas e dos padrões internacionais de legitimidade e transparência, tal como estabelece a Carta Democrática Interamericana para garantir um processo eleitoral livre e justo".
A missão será coordenada pelo secretário geral adjunto da Comunidade do Caribe (Caricom), Colin Granderson, e terá a participação de mais de 180 observadores que ficarão espalhados por todas as províncias a fim de acompanhar o processo eleitoral prévio, a jornada de votação, a contagem e o fechamento das urnas.

Os 4,7 milhões de cidadãos e cidadãs aptos a votar terão que escolher entre 19 candidatos à presidência. Apesar de nenhum ter mais que 25% das intenções de voto, especula-se um segundo turno entre Sabine Manigat, atualmente com 23% das intenções, e o candidato Jude Célestin, apoiado pelo atual presidente René Préval, com 21%. Além do chefe de Estado, também deverão ser eleitos para o Congresso Nacional 10 senadores e 89 deputados.

Um dos grandes desafios deste processo eleitoral é a epidemia de cólera, que já matou quase 1.200 pessoas e infectou mais de 18 mil desde o dia 19 de outubro, data em que o Ministério da Saúde informou sobre os primeiros casos da doença.

Em virtude desta grave crise na saúde, quatro candidatos à presidência pediram o adiamento das eleições. Mas, apesar da consciência da gravidade da situação, as autoridades haitianas não cogitaram um novo cancelamento e as eleições devem seguir. De acordo com Arturo Valenzuela, chefe da diplomacia estadunidense para América Latina e Caribe, apesar dos grandes desafios que o país está enfrentando, os preparativos para o pleito seguem bem.

As manifestações contra os soldados nepaleses, os capacetes azuis, também está marcando este momento de decisão política. Em importantes cidades, como a capital Porto Príncipe, a população está se manifestando contra a presença dos soldados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), acusados de trazer a cólera do Nepal para o país, e também contra o governo.

O próximo mandatário terá muito trabalho pela frente durante os próximos anos, visto que, após o terremoto de 12 de janeiro deste ano, o Haiti teve sua situação, já difícil, agravada. Atualmente, cerca de dois milhões de haitianos e haitianas não têm onde morar e vivem em acampamentos improvisados, abrigados em barracas.

Além de tentar conseguir efetivar o recebimento das doações, prometidas ao país logo após o terremoto e concretizada por uma ínfima minoria de países, o novo mandatário precisará estruturar um plano de construção que consiga captar os cerca de nove bilhões necessários para o país se reerguer e não decretar falência

* Matéria origininalmente publicada no site da Adital

registrado em: