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Eleições EUA: personalidades fazem coro por Obama

por Redação Carta Capital — publicado 29/08/2012 14h25, última modificação 06/06/2015 18h19
Iniciativa reúne na internet testemunhos em favor do presidente americano e inspira apoiadores de Marcelo Freixo no Rio
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Mensagem de apoio do ator Jesse Eisenberg a Barack Obama

Eduardo Graça, de Nova York

 

Em uma eleição marcada pelos chamados SuperPACs, comitês de ação política liberados para arrecadar quantias ilimitadas de dinheiro de doadores que podem se manter anônimos, não oficialmente ligados às campanhas majoritárias, uma nova iniciativa, criada pelo escritor Dave Eggers, e já adaptada às eleições municipais cariocas, busca atrair o eleitor conectado na rede em mutirões intelectuais. É uma espécie de contagem regressiva até o dia da votação, com razões claras – uma a cada dia – para se eleger o candidato favorito.

 

O site “90 Days, 90 Reasons” (http://90days90reasons.com/) traz textos de intelectuais, atores, cantores, críticos, jornalistas, comediantes e muitos escritores apresentando justificativas para a declaração pública do voto pela reeleição de Barack Obama. O ator Jesse Eisenberg, indicado ao Oscar por “A Rede Social”, escreve de dentro de seu yurt na Mongólia, onde passa uma temporada: “Eu me sinto mais confortável sendo representado por alguém que viu como o mundo, fora dos EUA, vive”. O cantor e compositor Paul Simon, em um texto bem mais extenso, diz saber ser impossível replicar o entusiasmo de 2008, “mas é talvez mais importante reeleger Obama” e depois de citar algumas das principais vitórias políticas do democrata – a reforma da Saúde pública, o assassinato de Osama Bin Laden, a recuperação da indústria automobilística – brinca que também não é de todo ruim contar com um presidente capaz de fazer uma imitação perfeita do soulman Al Green.

Entre os textos já publicados, o ator e comediante David Cross é direto: “basta pensar na alternativa”. O escritor Rick Moody diz que vota em quem defende o casamento para pessoas do mesmo sexo, a grande batalha pelos direitos civis dos EUA do século XXI. O líder da banda My Morning Jacket diz que vota em Obama porque “ele não é um robô”, crítica comum a seu adversário. E a professora e escritora Emily Raboteau fala da iniciativa educacional do governo democrata, facilitando o crédito educativo para jovens menos favorecidos financeiramente. Até o dia 6 de novembro Eggers vai colocar no site textos de Susan Sarandon, Khaled Hosseini e Anne Hathaway, entre outros.

Em julho, o publisher da editora McSweeney’s (responsável, entre outras publicações, pela prestigiosa revista literária The Believer) se assustou com a imensa vantagem em doações, via SuperPACs, de Romney sobre Obama. Na ocasião, o republicano contava com mais de 167 milhões de dólares, em doações de 79 bilionários, contra 57,2 milhões de dólares para Barack Obama, em doações de 42 bilionários. E teve a ideia, em parceria com Jordan Kurland, um nome poderoso no mundo da música popular independente americana, de criar um espaço para “relembrar doadores e eleitores das conquistas do governo Obama e inspirar novamente o movimento de massas que o elegeu”.

No Rio de Janeiro, inspiradas pela iniciativa de Eggers, três amigas criaram o fechocomfreixo.com, um site espontâneo de apoio ao candidato à prefeitura pelo PSOL, deputado estadual Marcelo Freixo. Aproveitando o número da campanha do principal adversário da reeleição do prefeito Eduardo Paes, as voluntárias iniciaram outra contagem regressiva, com 50 razões para se votar na oposição no dia 7 de outubro. Nos primeiros quatro dias, o site registrou 2.300 visitas únicas. “A diferença entre os candidatos, tanto nos EUA como no Rio, é entre um projeto político que pensa no cidadão, no ser humano, e outro que se pauta primeiramente no que convém ao mercado, em detrimento do ser humano. Para enfrentar esse último, com todo o dinheiro e a estrutura que ele tem pra engambelar os desavisados, a gente tem que botar a mão na massa. A motivação vem daí, da noção do quanto está em jogo”, diz a jornalista Kika Serra, uma das idealizadoras do fechocomfreixo.

Ao contrário do projeto multi-estelar de Eggers, Serra, uma das comandantes do podcast “Caipirinha Appreciation Society”, voltado para música de qualidade e anti-clichê brasileira, apresentado em inglês na internet e reproduzido na rádio da Universidade de Londres, conta que o fechocomfreixo não foi atrás de celebridades alinhadas com o candidato, como Caetano Veloso, Chico Buarque e Ivan Lins. “A maioria dos 90 defensores de Obama faz o tipo criativo-intelectual. Como são justamente os artistas que estão dando a cara a tapa em defesa do Freixo na campanha oficial, resolvemos abrir mais esse leque. Além de cineastas e pensadores, temos textos de ambulantes, líderes comunitários, donas de casa e médicos, para frisar que não é preciso ser intelectual para fechar com o Freixo”, diz Serra.

Já foram publicados nove textos, com motivos variados pelo voto em Freixo, como a defesa dos mais pobres, a luta feminista, a manutenção da identidade carioca e pelo fim da privatização do Estado. Serra criou o site do próprio bolso, espécie de SuperPAC em miniatura, “minha contribuição para a campanha”.

“Não temos ilusões de grandeza, não será a mobilização online que, unicamente, vai multiplicar exponencialmente as intenções de voto no Freixo. Queremos é reforçar o mutirão, dar aquele empurrão a mais, participar de um empenho coletivo, muito bonito, que estamos vendo no sentido de fazer isso acontecer. Queremos oferecer subsídios para uma reflexão sobre os motivos para se votar no candidato da esquerda, mesmo por pessoas que jamais se tocaram de que poderiam fazê-lo. Não estamos oferecendo argumentos partidários, mas opiniões concretas, palpáveis. Minha experiência como produtora de um programa que nasce e se propaga na internet é de que cada ‘conversão’ tem o potencial de trazer dez novas adesões. E de dez em dez, faz-se o segundo turno”, aposta Serra.