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Eleição no Peru: o que a mídia não diz

por Altamiro Borges — publicado 11/04/2011 16h50, última modificação 11/04/2011 16h50
O segundo turno será uma batalha ainda mais encarniçada. As forças de direita, que se dividiram no pleito, já sinalizaram que vão se unir. Além disso, elas já contam com o apoio da mídia “privada”

Por Altamiro Borges*

Já é certo que a eleição no Peru terá segundo turno. No primeiro, realizado ontem (10), o ex-militar Ollanta Humala, apoiado pelas forças de centro-esquerda e esquerda, saiu na frente. Isto já era previsível na reta final da campanha, quando ele aumentou a sua vantagem sobre o segundo colocado – pulando de 28% para 31,9% das intenções de voto.

O segundo turno, porém, será uma batalha ainda mais encarniçada. As forças de direita, que se dividiram no pleito, já sinalizaram que vão se unir. Além disso, elas já contam com o apoio da mídia “privada”, que abusa do terrorismo e difunde o medo na sociedade; e também do governo dos EUA, que alardeia que Humala é “um aliado de Chávez”.

A filha do ditador corrupto

Mas a situação dos neoliberais, aliados do império, também não é tranqüila. A mídia brasileira colonizada ataca o “chavista” Humala, alardeando inclusive que ele teria a “assessoria de dirigentes do PT”, mas evita falar sobre os seus possíveis concorrentes no segundo turno. Mas o telhado de vidro dos candidatos da direita peruana é enorme.

Keiko Fujimori, que surge como provável adversária de Humala no segundo turno, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que está preso por corrupção. Durante o seu longo reinado, o Peru virou uma nação de torturadores e de atentados aos direitos humanos. Neoliberal radical, ele agravou brutalmente as desigualdades sociais no país.

Vínculos com os narcotraficantes

Além disso, hoje são notórios os vínculos da família Fujimori com o clã Sanches Paredes, a maior rede criminosa do país. Segundo investigações recentes da Direção Antidrogas do Peru (Dirandro), o clã Paredes está envolvido com o narcotráfico desde os anos 1980, ainda que cinicamente se identifique como "grupo empresarial mineiro".

Em 2006, a família mafiosa bancou a campanha de Alan Garcia, atual presidente do Peru. Agora, optou por financiar várias candidaturas, em especial a da filha de Fujimori. Em 2000, a então primeira-dama Keiko intercedeu por um indulto à presidiária Ana Martínez, ligada ao grupo Paredes. Agora, ela recebeu US$ 10 milhões para sua campanha.

Telegramas vazados pelo Wikileaks

Mas esta não é a única ligação de Keiko com o narcotráfico. Telegramas recentes vazados pela Wikileaks informaram que em novembro de 2006, a embaixada dos EUA em Lima tinha a informação que Rofilio Neyra, velho militante das fileiras fujimoristas, tinha financiado a sua campanha com dinheiro proveniente do narcotráfico.

Além dos vínculos com a máfia do narcotráfico, Keiko e outros dois possíveis adversários de Humala têm ligações com poderosas empresas – inclusive com as multinacionais “brasileiras” Camargo Correa e Queiroz Galvão. O ultra-liberal Pedro Kuczynski, ex-ministro da Economia e consultor do Banco Mundial, é um dos preferidos das empreiteiras.

Os candidatos do império

Outros telegramas vazados pelo Wikileaks informaram recentemente que Kuczynski é considerado pela embaixada dos EUA em Lima como “um fiel aliado das transnacionais”. Ele tem nacionalidade peruana e estadunidense; e não esconde os seus vínculos com as corporações ianques e as suas idéias radicalmente neoliberais.

Já o ex-presidente Alejandro Toledo está sendo processado por vários atos de corrupção. Suas ligações com os rentistas e poderosas multinacionais abalaram sua popularidade. Em síntese: a batalha de Ollanta Humala para chegar à presidência não será fácil, mas a direita unida também esbarrará em inúmeros obstáculos. Os próximos dias serão tensos no Peru.

*Matéria publicada originalmente no Blog do Miro

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