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Ele já é o provável anti-Obama

por Eduardo Graça — publicado 12/01/2012 10h13, última modificação 13/01/2012 10h27
Romney ganha em New Hampshire e fortalece sua candidatura

A vitória era fava contada. Mas o comando da campanha de Mitt Romney, o cada vez mais provável candidato da oposição à Casa Branca em novembro, o único não incumbente na história a conquistar a maioria dos delegados nos estados de Iowa e New Hampshire, os primeiros embates no longo calendário eleitoral americano, não esperava ataques tão ferozes da ala conservadora do partido. Em busca do voto dos eleitores da Carolina do Sul, a próxima parada da maratona republicana, no sábado, seus adversários à direita se apresentaram como melhores alternativas ao capitalista frio, que, à frente da Bain Capital, fez, desde 1984, rios de dinheiro reestruturando empresas à custa de centenas, quiçá milhares de postos de trabalho. “São ataques desesperados de republicanos unindo-se ao presidente Obama para destruir minha candidatura”, disse Romney, ao celebrar a vitória no estado da Nova Inglaterra, onde fica uma de suas casas e era considerado seu reduto eleitoral, com 38% dos votos, ante 23% do deputado texano Ron Paul e 13% dados ao ex-governador de Utah John Huntsman.

As pauladas mais duras vieram do ex-porta-voz da Casa dos Representantes (equivalente a presidente da Câmara no Brasil), Newt Gingrich, e do governador do Texas, Rick Perry, respectivamente, quarto e sexto colocados em New Hampshire. Para os dois, a disputa na Carolina do Sul é uma espécie de tudo ou nada. Com forte concentração de conservadores sociais, ligados às igrejas evangélicas, o estado foi vencido nas eleições gerais de 2008 por John McCain, ao contrário dos mais liberais Iowa e New Hampshire, que deram seus votos no colégio eleitoral para Barack Obama. Romney, como se sabe, é mórmon e sofre com o preconceito dos cristãos mais extremistas. Ainda assim, ele aparece à frente em todas as pesquisas de opinião no estado sulista, seguido por Gingrich e Santorum, mais uma vez dividindo o voto conservador.

 

Em campanha no estado sulista, Perry disse que os republicanos se arriscam a escolher um “abutre” das grandes corporações para enfrentar Obama. Ele fez questão de lembrar que duas fábricas foram fechadas pela Bain na Carolina do Sul, provocando centenas de demissões. Gingrich foi ainda mais direto: “Será que o capitalismo americano é de fato sintetizado pela habilidade de um punhado de ricos saírem felizes com uma dinheirama nas mãos, enquanto manipulam milhares de cidadãos?” E ainda ironizou o aumento de impostos comandado por Romney quando governador de Massachusetts. “Até uma taxa para cidadãos com defeitos visuais ele criou. Eu sei que eles estavam tentando raspar o tacho, mas, por favor, assim já é demais”, continuou. Huntsman e Paul juntaram-se ao coro. “Romney gosta de demitir, eu, ao contrário, de criar postos de trabalho”, disse o ex-governador de Utah, embaixador dos EUA na China durante os primeiros anos da administração Obama. Já Paul bateu na tecla de que a riqueza americana vem sendo subtraída da classe média em benefício de uns poucos, essa “mesma turminha” de ricos da qual Romney faz parte.

*Leia matéria completa na Edição 680 de CartaCapital, já nas bancas. 

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