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Egito terá referendo sobre nova Constituição em dois meses, dizem ativistas

por Opera Mundi — publicado 15/02/2011 10h25, última modificação 15/02/2011 10h26
As medidas, que abririam espaço para eleições democráticas, foram previstas no domingo 13, após uma reunião entre ativistas e membros do Conselho. Por Thaís Romanelli

Por Thaís Romanelli*

Ativistas egípcios envolvidos na organização dos protestos que derrubaram o ditador Hosni Mubarak na semana passada anunciaram nesta segunda-feira 14 que o Conselho Supremo Militar do Egito espera finalizar mudanças na Constituição em dez dias e convocar um referendo sobre as novas normas em dois meses.

As medidas, que abririam espaço para eleições democráticas, foram previstas no domingo 13 após uma reunião entre ativistas e membros do Conselho. Anteriormente, o exército havia anunciado a dissolução do Parlamento, a suspensão da Constituição e que governaria o país durante o período de transição política até a formação de um novo poder civil.

"Um comitê constitucional conhecido por sua integridade e por não ser filiado a nenhuma corrente política foi formado e irá finalizar as emendas na Constituição em dez dias, que serão votadas em referendo em dois meses", anunciou em sua página no Facebook o executivo do Google Wael Ghonim, libertado na semana passada pela polícia egípcia após ficar preso durante 12 dias por "ativismo pela internet".

Segundo ele, oito ativistas - incluindo o próprio Ghonim - se reuniram com membros do Conselho para negociar o cumprimento das principais demandas dos manifestantes após a queda de Mubarak: a realização de eleições livres realizadas sob uma Constituição revisada. Até lá, os militares ficarão no poder "por um período de seis meses ou até o fim das eleições para as câmaras baixa e alta do Parlamento, além das eleições presidenciais".

Nesta manhã, o porta-voz militar leu um comunicado transmitido pela TV estatal em que pediu o fim das greves no país e a reativação da economia. "Nobres egípcios, vejam que essas greves, nesse momento delicado, levam a resultados negativos", disse.

A declaração foi feita após manifestantes voltarem a se reunir na praça Tahrir, centro do Cairo, horas depois de o Exército e policiais terem retirado todos os ativistas pró-democracia da área. De acordo com a polícia egípcia, cerca de 250 mil manifestantes se reuniram no local.

Além deles, outros egípcios anti-Mubarak protestaram nesta segunda-feira em frente a entidades financeiras, indústrias, na sede da TV estatal, em ferrovias e nos ministérios da Cultura e da Saúde para reivindicar  melhores salários.

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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