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Egito realizará referendo sobre a Constituição em 15 de dezembro

por AFP — publicado 02/12/2012 09h40, última modificação 02/12/2012 09h40
Texto aprovado às pressas pela maioria islamita no Congresso, não agrada laicos, liberais e cristãos
Mursi

Presidente egípcio em imgem da TV estatal discursa após dias de protesto. Foto: AFP

CAIRO (AFP) - O presidente egípcio Mohamed Mursi anunciou na noite de sábado 1 um referendo sobre o polêmico projeto de Constituição adotado esta semana.

Mursi convidou "todos os egípcios a se pronunciarem" na data, após o presidente da Comissão Constituinte lhe entregar o projeto final da Constituição em uma cerimônia oficial no Cairo.

"A nação se constrói com todos nós. A democracia é a participação. Convido todos os cidadãos a examinar com precisão e objetividade este projeto", afirmou.

Segundo Mursi, um político da corrente islamita egípcia, o projeto expressa os objetivos da revolução que derrubou Hosni Mubarak em 2011.

"Renovo o convite de abertura de um debate nacional sério sobre os males nacionais com total franqueza, para pôr fim ao período de transição o quanto antes e proteger nossa democracia incipiente", declarou.

A Comissão Constituinte votou o projeto de Constituição entre quinta à noite e sexta-feira.

                 

O texto conta com o apoio dos islamitas, mas não agrada os laicos, os liberais e a comunidade cristã, que o acusam, sobretudo, de atentar contra a liberdade de expressão e de religião.

Além disso, o projeto, que estava paralisado há meses, foi adotado em plena crise política devido à decisão de Mursi de conceder poderes excepcionais a si próprio, especialmente em relação ao aparelho judicial.

"Mursi submete a referendo um projeto de Constituição que mina as liberdades fundamentais e viola os valores universais. A luta continua", afirmou neste sábado à noite o opositor Mohamed ElBaradei em sua conta de Twitter.

Milhares de islamitas se manifestaram neste sábado no Cairo e em outras cidades do Egito em apoio a Mursi, um dia após um imenso protesto da oposição contra os poderes excepcionais do presidente, o que oferece uma ideia da crescente divisão do país.

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