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Egito em transe!

por Leonardo Calvano — publicado 03/02/2011 16h56, última modificação 03/02/2011 17h10
Diante dos acontecimentos no Egito, Leonardo Calvano, que sempre traz aos leitores assuntos panamericanos, relembra duas revoluções que marcaram o século 20, a dos Cravos e a Mexicana

Revolução. Uma das definições sobre a palavra no dicionário: 8. Reforma, transformação, mudança completa. Atenção para o último termo, mudança completa. A revolução só pode ser considerada completa se o processo de ruptura ocorrer de forma integral e alterações sociais, políticas, econômicas e culturais sejam promovidas.

A coluna foi criada para falar de assuntos panamericanos, mas eu não poderia me omitir e ficar calado diante de um dos maiores acontecimentos do novo século: a revolução no Egito. Então, resolvi destacar dois fatos que marcaram o século 20. A Revolução dos Cravos (em Portugal, que não é americano, mas muito latino, em 1974) e a Revolução Mexicana (1911).

A primeira, muito bem retratada no cinema pelo filme Capitães de Abril (Maria de Medeiros, 2000), derrubou o regime salazarista em Portugal, em 1974, para estabelecer as liberdades democráticas no país. O regime ditatorial, estabelecido em Portugal em 1932, foi conduzido com mãos de ferro por Antônio de Oliveira Salazar, inspirado pelo fascismo italiano.

Porém, o grande erro dos Capitães de Abril foi entregar o comando da nação para o general António de Spínola que, como outros militares, teve um papel determinante nesse período. Durante o PREC (Período Revolucionários em Curso), as facções de direita e a Igreja Católica receavam uma evolução mais radical do processo político iniciado com a Revolução dos Cravos e atuaram para impedir. Portugal passou por um período conturbado durante dois anos, marcado pela luta e perseguição politica entre facções, que só terminaria com a Constituição Portuguesa, em abril de 1976.

Talvez tenha faltado um líder para tomar as rédeas da história em Portugal, como Cuba encontrou em Fidel Castro e que não faltou no México, pelo contrário, muitos, só que com pensamentos diferentes. Após depor o ditador Porfírio Díaz, que estava há 30 anos no poder, em 1911, o México viveu 20 anos de luta pelo controle do governo. Este período é considerado parte da Revolução Mexicana embora possa também ser visto como uma guerra civil. Muitos foram assassinados, entre eles, os presidentes Francisco Madero (1911), Venustiano Carranza (1920), além dos líderes revolucionários Emiliano Zapata (1919) e Pancho Villa (1923).

Finalizado esse período de turbulência e com o objetivo de reestabelecer a ordem no México, foi criado o PRI (Partido Revolucionário Institucional), que por mais de 70 governou o país. Sua política neoliberal, além de perseguir oponentes e jornalistas, tornou o México um dos países com o maior abismo social e econômico do mundo. Para muitos, a fundação do partido marcou o fim da Revolução Mexicana.

Mas quem será esse líder que irá conduzir às transformações necessárias no Egito? Pelo que vimos até agora, só apareceram oportunistas.

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