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Egípcios vão às urnas para escolher entre militares e islamitas

por AFP — publicado 17/06/2012 11h22, última modificação 06/06/2015 17h37
Após dissolução do Parlamento, novo presidente pode ter menos poder que as Forças Armadas

CAIRO (AFP) - Os egípcios voltaram às urnas neste domingo 17, último dia do segundo turno das eleições presidenciais, para escolher entre um ex-premiê do antigo regime e o candidato da Irmandade Muçulmana. O duelo mostra um cenário de confronto entre as Forças Armadas, no poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak, e o potente movimento islâmico. Os resultados devem ser anunciados oficialmente em 21 de junho, mas poderão sair antes.

O país está dividido entre partidários do candidato Ahmad Shafiq, último primeiro-ministro de Mubarak, saído do aparato militar, e um alto responsável da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi.

Ex-comandante da Força Aérea, Shafiq, de 70 anos, faz campanha sobre a estabilidade, que interessa muitos egípcios após um ano de transição política caótica. Ele também tem o apoio da comunidade cristã copta, preocupada com a possibilidade de um islâmico dirigir o país. Enquanto isso, Mursi, um engenheiro de 60 anos, tenta apagar a imagem de islamita conservador e é apresentado como o único recurso dos defensores da "revolução" contra a restauração do antigo regime.

O ambiente de confronto tornou-se ainda mais evidente no sábado 16 com o anúncio oficial, em plena campanha do segundo turno, da dissolução do Parlamento pelo Conselho Supremo das Forças Armadas.

A decisão foi adotada em aplicação a um veredicto da Alta Corte Constitucional na quinta-feira 14, anulando a eleição dos deputados por conta de um vício jurídico no modo de escrutínio das legislativas realizadas por etapas de novembro de 2011 a janeiro de 2012.

A Irmandade Muçulmana, que tinha quase metade das cadeiras no Parlamento, atacou "a vontade do Conselho Militar de se apoderar de todos os poderes". O Partido da Libertad e Justiça (PLJ) denunciou "uma agressão flagrante contra a revolução".

Analistas estimam que esta medida e a dissolução do Parlamento permitirão às forças militares se manter no controle do Egito seja qual for o resultado das eleições presidenciais.

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