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Barack Obama

'Fim de um capítulo doloroso'

por AFP — publicado 20/10/2011 21h15, última modificação 21/10/2011 09h55
Após morte de Muamar Kadhafi, presidente dos EUA diz que o povo eliminará os regimes ditatoriais no mundo árabe

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira 20 que a morte do líder deposto Muamar Kadhafi marca "o final de um capítulo longo e doloroso" para os líbios, e mostra que os regimes de linha dura na região estão com "os dias contados".

"Hoje, o governo da Líbia anunciou a morte de Muamar Kadhafi. Ela marca o fim de um capítulo longo e doloroso para os habitantes da Líbia que têm, a partir de agora, a chance de poder determinar seu próprio destino em uma Líbia nova e democrática", declarou Obama durante um breve discurso na Casa Branca.

"Para a região, os eventos de hoje provam mais uma vez que os regimes de mão de ferro sempre acabam. Em todo o mundo árabe, cidadãos se levantaram para exigir seus direitos. Os jovens rejeitam com força a ditadura. E esses dirigentes que tentam recusar sua dignidade não conseguirão fazer isso", afirmou durante discurso na Casa Branca.

"Durante quatro décadas, o regimen de Kadhafi governou os líbios com mão de ferro. Os direitos humanos foram negados, civis inocentes, presos, golpeados e assassinados, a riqueza da Líbia devastada (...) e o terrorismo estabelecido como arma política".

Agora os "líbios têm a grande responsabilidade de construir uma Líbia para todos, tolerante e democrática, que represente uma perfeita rejeição da ditadura de Kadhafi". Esperamos com impaciência o anúncio (...) da formação rápida de um governo interino e de uma transição com eleições livres e justas", disse Obama, admitindo que o caminho para a plena democracia será "longo e sinuoso".

O presidente destacou que "sem enviar sequer um militar americano ao solo líbio, conseguimos nossos objetivos, e nossa missão da Otan logo chegará ao fim", o que ilustra a "força da liderança americana em todo o mundo".

Posteriormente, ao receber o premier norueguês, Jens Stoltenberg, no Salão Oval da Casa Branca, Obama destacou que a campanha da Otan na Líbia demonstrou a "enorme capacidade" da ação multilateral internacional.

"A cada oportunidade de trabalhar com sócios extraordinários como a Noruega, seremos ainda mais eficazes", destacou o presidente sobre a campanha da Otan para acabar com o regime de Kadhafi.

"Nós lhe demos a oportunidade para determinar o próprio destino", lembrou Obama sobre Kadhafi, morto por tropas do Conselho Nacional de Transição.

Kadhafi morreu nesta quinta-feira em Sirte, sua cidade natal, em uma ação sobre a qual pairam várias dúvidas.

Segundo o chefe executivo do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mahmud Jibril, "quando o encontraram (Kadhafi) estava bem de saúde e carregava uma arma, mas ao arrancar com um veículo foi envolvido em um tiroteio entre combatentes 'kadhafistas' e revolucionários, e recebeu um disparo na cabeça". Em seguida, foi levado em uma pick-up e "estava vivo até chegar ao hospital" de Misrata.

Horas antes, Mohamed Leith, comandante das forças do CNT no sul de Misrata, disse que "Kadhafi estava em um jeep contra o qual os rebeldes abriram fogo". "Saiu do veículo e tentou fugir por uma tubulação, mas nossas forças abriram fogo e ele saiu com um Kalashnikov (fuzil de assalto) em uma mão e uma pistola na outra".

"Olhou para a direita e para a esquerda e disse: 'o que ocorre aqui'. Os rebeldes abriram fogo outra vez, ferindo-o no ombro e na perna, e ele sucumbiu".

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