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E Mubarak diz que fica

por Felipe Corazza — publicado 10/02/2011 20h15, última modificação 11/02/2011 12h00
A comemoração esperada para a noite desta quinta-feira 10 transformou-se em raiva para as mais de 3 milhões de pessoas que esperavam pela renúncia do ditador nas ruas do Cairo. Foto: AFP
E Mubarak diz que fica

A comemoração esperada para a noite desta quinta-feira 10 transformou-se em raiva para as mais de 3 milhões de pessoas que esperavam pela renúncia do ditador nas ruas do Cairo. Foto: AFP

A comemoração esperada para a noite desta quinta-feira 10 transformou-se em raiva para as mais de 3 milhões de pessoas que esperavam pela renúncia do ditador Hosni Mubarak nas ruas do Cairo. Na capital egípcia, os protestos que já duram 18 dias chegaram ao dia de maior concentração, esperando que os 30 anos de Mubarak no poder chegariam ao fim. O pronunciamento veio, mas foi uma decepção.

Mubarak prometeu conduzir um "processo pacífico de transição de poder" no Egito até as eleições de setembro. Com um discurso frio, o ditador avisou que pretende reformar seis artigos da Constituição para "recuperar a confiança da população". Mubarak comprometeu-se, novamente, a não concorrer a um novo mandato nas eleições presidenciais.

O ditador tentou frear os ânimos do povo fazendo uma ameaça de natureza econômica em relação aos protestos: "Nossa economia vem sofrendo perdas e danos a cada dia. A juventude que está pedindo por mudanças será a primeira vítima disso". A multidão não recebeu bem o discurso. Ainda no meio do pronunciamento, já se ouviam gritos e vaias entre os manifestantes.

O tom dos protestos subiu antes mesmo do fim do discurso. Gritos de "Saia!" tomaram a praça Tahrir, centro das manifestações. Enquanto Mubarak apelava para seu passado como "herói da guerra dos 6 dias" e militar "que lutou pela honra da nação", o povo nas ruas levantava a voz abafando o ditador.

O dia de protestos
Os manifestantes se espalharam hoje nas áreas próximas ao Parlamento e ao Conselho de Ministros do Egito. A decisão de ampliar os protestos foi uma reação ao aviso do vice-presidente, Omar Suleiman, de que o governo não toleraria mais manifestações.

"O governo não vai tolerar mais qualquer tipo de protesto e temos de acabar com a crise o mais rapidamente possível ", disse o vice-presidente, nomeado principal negociador do governo com a oposição.

Os opositores bloquearam as ruas que dão acesso à Assembleia da República (o Parlamento) e aos prédios onde funcionam os gabinetes da Vice-Presidência da República. Esses locais estão a cerca de 100 metros da Praça Tahrir.

Greves
Para amanhã (11), os oposicionistas preparam a Sexta-feira dos Mártires que une o dia de orações da religião muçulmana e o fim de semana de férias no Egito. Ativistas da oposição estimulam as diversas categorias a promover greves. Os funcionários de transporte público já anunciaram a paralisação por tempo indeterminado na região do Canal de Suez.

A televisão estatal confirmou que 15 mil trabalhadores dos setores de infraestrutura, minério, saúde, têxteis, eletricidade e telecomunicações também anunciaram paralisação para exigir reajustes salariais e melhores condições de trabalho, no Cairo e em outras cidades do país.

(Com informações da Agência Brasil)

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