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DSK fala em complô, mas que complô?

por Gianni Carta publicado 19/09/2011 19h45, última modificação 19/09/2011 20h45
Assistida por 12 milhões de franceses, primeira entrevista de DSK foi dada a uma amiga de sua mulher. Só falta o best seller

Tudo não teria passado de um complô, uma armadilha. Dominique Strauss-Kahn não tentou estuprar Nafissatou Diallo, a camareira ganesa do hotel novaiorquino naquele 14 de maio. “Foi uma relação consentida.” Essas foram algumas das revelações de DSK na sua primeira entrevista no domingo 18 para a rede fracesa de tevê TF1.

Sim, ele concorda que a “relação” foi “inapropriada”, uma “falha moral”. Falha que lhe custou a chefia do FMI, e o provável cargo de presidente da França, a partir de 2012. Antes de o escândalo sexual vir à tona, DSK, de 62 anos, era apontado como o favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Mas se ele não tentou estuprá-la, e não houve violência, o que ocorreu naqueles nove minutos no quarto do hotel? Claire Chazal, a bela apresentadora vedete da TF1, é amiga de Anne Sinclair, também ela ex-vedete de tevê. Ou seja, estamos falando de uma entrevista entre amigos, na qual perguntas difíceis inexistiram.

O que perguntaria uma jornalista com “J” maiúsculo quando o sombrio DSK disse que não houve estupro e foi um ato, ou melhor, “uma relação consensual”? Eis a pergunta para a senhora Chazal fazer para DSK: o senhor poderia ser mais específico? Strauss-Kahn, claro, não precisaria entrar nos meandros da história, mas poderia fornecer as linhas gerais do acontecido.

Cedo ou tarde, saberemos mais o que houve naquele quarto do Sofitel, visto que a camareira abriu um processo contra Strauss-Kahn. Há também o processo da escritora Tristane Banon, que acusa o ex-patrão do FMI de ter tentado estuprá-la em 2003.

Por algum tempo, DSK fará o papel de arrependido. Sim, ele se arrepende. Sinclair, sua mulher, disse o ex-presidenciável, “é uma mulher excepcional”. Continuou DSK na entrevista para Chazal: “Eu não teria resistido tudo isso sem ela. Tenho uma sorte louca de tê-la ao meu lado”.

Põe sorte nisso.

Bilionária e neta de um marchand de Picasso, Sinclair pagou a fiança de 1 milhão de dólares para tirar o marido da prisão. Além de generosa, em todos os sentidos possíveis do termo, Sinclair é obediente. Nomeado ministro das Finanças do premier Lionel Jospin, DSK lhe pediu para abandonar a carreira de jornalista. Sinclair, claro, aquiesceu.

Ah, e DSK, como dito acima, continuará a defender a tese de que tudo não passou de um complô. Outra pergunta que Chazal deveria ter feito: “Se o senhor fala em complô poderia ser mais específico?”

DSK também observou que foi “maltratado antes de poder articular sequer uma palavra”. Em seguida, foi crítico em relação ao sistema judiciário americano. Não fosse o sistema americano, vale exprimir, DSK ainda estaria atrás das grades. Pelo fato de a credibilidade da suposta vítima ter sido posta à prova, a Promotoria desistiu do processo. E assim, em agosto DSK começou a passear por Nova York com a mulher até reaver seu passaporte francês.

DSK disse aos 12 milhões de telespectadores que vai refletir sobre seu futuro. Abandonado o tablado político, ele tem pela frente os dois processos civis por supostos estupros, e depois, é provável, ele poderá escrever seu best seller.

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