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Ditador Juan María Bordaberry é enterrado sem honras de estado

por Redação Carta Capital — publicado 18/07/2011 14h16, última modificação 18/07/2011 14h16
Presidente de fato entre 1973 e 1976 foi condenado a 30 anos de prisão pela morte e desaparecimento de opositores políticos. Processo ocorreu 20 anos depois de sua deposição

Sem funeral público ou honras de estado, o corpo do ex-ditador uruguaio Juan María Bordaberry foi sepultado na tarde do domingo 18. Ele faleceu aos 83 anos na madrugada do mesmo dia em sua casa em Montevidéu, onde cumpria pena de prisão domiciliar.

Civil, Bordaberry foi eleito para a presidência em 1972. No ano seguinte, pressionado pelas forças armadas, dissolveu o parlamento, proibiu os partidos e passou a governar por decreto. Ironicamente, em 1976, foram os próprios militares que forçaram sua saída do poder, contrários a obstinação de Bordaberry de levar a cabo a perseguição e o desaparecimento dos partidos políticos, inspirado na experiência espanhola do general Franco. Sua deposição do poder abriu caminho para uma sucessão de militares no poder, que estiveram a frente do país até 1985.

José María Bordaberry foi acusado pela morte de pelo menos seis opositores políticos e nove desaparecimentos forçados durante o período em que foi presidente de fato do Uruguai. Passaram-se, entretanto, mais de 20 anos para que o ex-ditador enfrentasse um processo, aberto durante o governo Tabaré Vazquez (2005-2010). Ele foi preso em 2006 e enviado a prisão domiciliar um ano depois, por motivos de saúde. Em 2010, foi condenado a 30 anos por esses crimes e por ter atentado contra a Constituição do país.

Os anos em que Bordaberry esteve no comando do Uruguai foram marcados por uma crise econômica e pela colaboração com as demais ditaduras latinoamericanas. Em 1978, o jornalista Claudio Trobo estimou ao jornal espanhol El País que, desde o começo da última ditadura militar, cujo início se deu com o golpe realizado por Bordaberry, um em cada três uruguaios teve de deixar o país. Uma comissão governamental em 2008 concluiu que a ditadura deixou 38 uruguaios mortos no próprio Uruguai, 128 na Argentina, oito no Chile, dois no Paraguai e um no Brasil.

Apesar de, antes do golpe, ter assumido seu cargo de presidente por meios democráticos, não lhe foram concedidas honras de estado para o seu funeral. Isso porque a coalizão Frente Amplio, da qual o atual presidente José Mujica faz parte, impulsionou um projeto de lei em 2003 que suspendeu as honras de estado aos mandatários do país durante o período ditatorial (1973-1985). Informado da morte do ex-ditador, José Mujica não se manifestou.

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