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Diretora de ONG que monitora eleições é detida

por Redação Carta Capital — publicado 03/12/2011 15h46, última modificação 03/12/2011 17h19
Organização Golos é pressionada pelo governo e acusada de tentar desestabilizar o país por interesses ocidentais após publicar na internet mapa apontando irregularidades nas eleições deste domingo 4
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Liliya Shibanova foi detida por se negar a entregar laptop supostamente com programas ilegais para funcionários da aduana de um aeroporto em Moscou. oto: Kirill Kudryavtsev/AFP

Um dia antes das eleições legislativas deste domingo 4 na Rússia, a diretora da ONG Golos, Liliya Shibanova, foi detida em um aeroporto de Moscou. A ativista, que comanda a organização independente de observação eleitoral, retornava de um seminário acompanhada de representantes da União Europeia e se negou a entregar seu laptop a funcionários da aduana.

Os fiscais teriam recebido denúncias da existência de programas ilegais no computador da ativista, que foi levada para interrogatório dois dias após a ONG ser multada por uma infração eleitoral. A punição ocorreu pela publicação na internet do "Mapa das Violações", mostrando as irregularidades eleitorais no país.

Segundo o diário espanhol El País, até a manhã de sábado o documento já havia reunido cerca de 5 mil queixas de táticas de campanha eleitoral ilegais, incluindo casos de empregadores ameaçando funcionários com cortes de salários e oficiais locais exigindo que líderes comerciais pressionassem seus subordinados.

A maioria das reclamações está relacionada ao partido governamental Rússia Unida, que enfrenta queda de popularidade e luta neste domingo para manter o controle de dois terços do Parlamento. Algo que, segundo pesquisas, não deve ocorrer. Estima-se que a legenda do primeiro-ministro Vladmir Putin deva conquistar pouco mais de 50% dos votos, mas o histórico de fraudes eleitorais no país torna o cenário incerto.

A ONG foi bombardeada por um documentário exibido na noite de sexta-feira 2 pelo canal de televisão NTV, de propriedade de um monopólio governamental de gás. O vídeo acusa a Golos de receber fundos dos EUA e de outros governos ocidentais para instigar a população russa a um estado de "primavera árabe" após as eleições.

De acordo com o jornal americano The New York Times, a pressão do Kremlin em desacreditar a ONG pode impedir os cerca de 3 mil observadores da Golos de participar do monitoramento das eleições.

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