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Direita volta ao poder no Japão e deve endurecer relação com a China

por Redação Carta Capital — publicado 17/12/2012 10h06, última modificação 17/12/2012 10h06
Em primeira entrevista, líder do conservador Partido Liberal Democrata, diz que soberania de ilhas disputadas com a China não é negociável
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Abe chega para entrevista coletiva nesta segunda-feira 17, em Tóquio, na sede de seu partido. Abe ocupou o posto de premier entre 2006 e 2007, quando teve que renunciar devido a problemas de saúde. Foto: Yoshikazu Tsuno / AFP

As eleições realizadas no domingo 16 no Japão comprovaram o que os analistas esperavam. O conservador Partido Liberal Democrata (PLD) conseguiu uma vitória acachapante sobre o Partido Democrático do Japão (PDJ), que estava no poder há três anos, e vai formar o novo governo do país. Para a política externa japonesa, a mudança de governo significa mais atritos com a China. O líder do PLD, Shinzo Abe, é um defensor da mudança da Constituição pacifista do Japão e da linha-dura no relacionamento com a China.

Nesta segunda-feira 17, Abe deu sua primeira entrevista coletiva e deu indicações de como será o relacionamento com o vizinho. Segundo Abe, a soberania japonesa sobre as ilhas Senkaku, disputadas coma China, "não é negociável". "As ilhas Senkaku integram o território japonês. O Japão possui e controla estas ilhas em virtude do direito internacional. Não é negociável", disse.

Durante a campanha eleitoral, Abe defendeu uma linha inflexível na divergência territorial com a China. O PLD defende inclusive estudar a ideia de construir um porto nas ilhas em disputa, atualmente desabitadas, ou destacar funcionários japoneses para aumentar o controle sobre o arquipélago. Tóquio e Pequim disputam há décadas a soberania das ilhas.

A China manifestou preocupação com a vitória de Abe e do PLD no Japão. "Estamos muito preocupados com o rumo que o Japão pode tomar", disse Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores. "Estas ilhas são parte integrante do território chinês", afirmou Hua, antes de destacar que a China está "disposta a trabalhar com o Japão para estabelecer relações estáveis".

As ilhas Senkaku, conhecidas como Diaoyu em chinês, são o epicentro de um conflito territorial que se agravou após a nacionalização pelo Japão, em setembro, de parte do arquipélago no mar da China Meridional. Considerado um "falcão" na política externa, Abe prometeu na campanha inflexibilidade nas disputas territoriais do Japão com os vizinhos, em particular com a China. Navios governamentais chineses entraram nos últimos meses em águas territoriais do arquipélago. Na quinta-feira, a crise ganhou novo tom quando um avião chinês sobrevoou as ilhas, o que o Japão considerou a primeira violação de seu espaço aéreo desde o agravamento do conflito.

Resultados da eleição

O PLD, de Shinzo Abe, obteve entre 274 e 310 assentos dos 480 que compõem a câmara baixa do Parlamento japonês. Juntamente com o parceiro de coalizão Novo Komeito, é possível que o partido de Abe consiga alcançar até mesmo uma maioria de dois terços no Parlamento, o que permitiria mudanças mais profundas nos rumos do país.

O PDJ, do atual primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, sofreu uma dura derrota. A legenda só ocupará entre 50 a 77 cadeiras no Parlamento. Antes das eleições, a sigla tinha 233 assentos. Em 2009, o PDJ conseguiu ganhar o poder e interromper as décadas do PLD no governo. No entanto, as expectativas de um recomeço político no país não foram alcançadas.

O PDJ não teve muita sorte desde o início de seu governo. O Executivo foi obrigado a contornar os efeitos da crise econômica mundial e ao mesmo tempo teve que tentar debelar as consequências do acidente nuclear em Fukushima, bem como do terremoto e tsunami de 11 de março de 2011. Além disso, o partido quebrou a confiança dos eleitores em função de desavenças internas.

Para o pleito no Japão estavam registrados aproximadamente 104 milhões de eleitores. Um total de 1.504 candidatos de 12 partidos concorreram a cadeiras no Parlamento. Dos 480 deputados, 300 serão designados em votação uninominal em circunscrições locais, enquanto os 180 restantes serão distribuídos de acordo com o direito proporcional de cada partido.

Com informações da Deustche Welle e da AFP