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Dilma leva discurso de campanha à ONU

por Deutsche Welle publicado 24/09/2014 16h19
Presidente evita temas polêmicos e usa grande parte dos 30 minutos em que discursou na Assembleia Geral para ressaltar conquistas de seu governo em áreas como o combate à fome, miséria e desemprego
Don Emmert / AFP
Dilma

A presidenta Dilma Rousseff abre a Assembleia Geral da ONU

A presidente Dilma Rousseff levou ao palanque da Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira 24 em Nova York, um discurso similar ao que vem adotando na campanha para a reeleição. Durante cerca de 30 minutos, ela destacou as conquistas sociais de seu governo e do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em campos como saúde e combate à fome, à miséria e ao desemprego.

Primeira chefe de Estado a falar na 69ª Assembleia Geral, Dilma começou o discurso lembrando que o Brasil está a menos de duas semanas de eleições gerais e ressaltou a consolidação de políticas de combate à corrupção e de defesa dos direitos humanos nos 12 anos de governo do PT.

"Há poucos dias a FAO [agência da ONU para alimentação e agricultura] informou que o Brasil saiu do mapa da fome. Essa mudança foi resultado de uma política econômica que criou 21 milhões de empregos, valorizou o salário básico, aumentando em 71% seu poder de compra", afirmou a presidente. "Com isso, reduziu a desigualdade. Trinta e seis milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003, 22 milhões somente em meu governo."

Parte do discurso foi centrada também em ressaltar os avanços na economia brasileira, que, segundo Dilma, sobreviveu às piores consequências da crise de 2008, como o desemprego e o congelamento de investimentos. O Brasil, afirmou a presidente, saltou da 13ª para sétima maior economia do mundo, e a renda per capita mais que triplicou.

Dilma, que deixou o palanque aplaudida para dar lugar ao presidente dos EUA, Barack Obama, disse ainda que seu governo tem um compromisso com a valorização da mulher no mercado de trabalho e na atividade política; que o Brasil faz sua parte para enfrentar a mudança do clima; e voltou a cobrar uma reforma no Conselho de Segurança da ONU.

"O Conselho de Segurança tem encontrado dificuldade em promover a solução pacífica desses conflitos. Será necessária uma verdadeira reforma do Conselho de Segurança, processo que se arrasta há muito tempo", disse a presidente.

Ela também criticou a demora na ampliação do poder de voto dos países em desenvolvimento em instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, e disse que elas correm o risco de perder eficácia e legitimidade. "É imperioso pôr fim ao descompasso entre a crescente importância dos países em desenvolvimento na economia mundial e sua insuficiente participação nos processos decisórios das instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. É inaceitável a demora na ampliação do poder de voto dos países em desenvolvimento nessas instituições. O risco que essas instituições correm é perder sua legitimidade e eficiência", disse.

Dilma evitou tocar em assuntos polêmicos, como a espionagem americana, que gerou atritos diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos e foi tema de seu discurso no ano passado. Mas citou conflitos como o ucraniano, o israelo-palestino e o sírio.

"Não podemos permanecer indiferentes à crise entre Israel e Palestina, sobretudo depois dos dramáticos acontecimentos na Faixa de Gaza. Condenamos o uso desproporcional da força, vitimando fortemente a população civil, mulheres e crianças. Esse conflito deve ser solucionado e não precariamente administrado, como vem sendo", disse Dilma, que defendeu a convivência entre os dois Estados dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas.

O Brasil realiza o discurso de abertura da reunião anual desde 1947, por ter sido um dos primeiros países-membros a se associarem às Nações Unidas, em 1945.