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Dilma e Merkel concordam sobre FMI, mas divergem sobre política monetária

por AFP — publicado 06/03/2012 10h28, última modificação 06/06/2015 18h22
Dilma e Merkel concordam sobre maior participação brasileira no FMI e a chanceler diz "compreender as preocupações" brasileiras sobre a guerra cambial, mas denunciou a tentação de responder com protecionismo
Merkel

Merkel considera "muito natural" reforçar a influência dos emergentes no FMI. Foto: ©AFP / Odd Andersen

HANOVER (AFP) - A chanceler alemã Angela Merkel e a presidente brasileira Dilma Rousseff anunciaram nesta terça-feira 6 que concordam com a participação do Brasil no fortalecimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a Eurozona, mas persistem as divergências sobre a política monetária.

"Desde a reunião do G20 de Cannes (em novembro 2011), afirmamos que estamos de acordo em participar no aumento dos meios do Fundo Monetário Internacional", disse Dilma Rousseff à imprensa, após uma visita conjunta ao Salão de Tecnologia de Hanover, no qual o Brasil é o convidado de honra deste ano.

Mas ela completou que o esforço deve ser traduzido com "o aumento da participação dos países emergentes" na direção do FMI.

Merkel considera "muito natural" reforçar a influência dos emergentes no FMI e destacou que, neste sentido, Alemanha e Brasil estão "em grande harmonia".

Mas este não é o caso a respeito da política monetária.

Rousseff reiterou os "temores com a expansão monetária nos Estados Unidos e na Europa" para lutar contra a crise da dívida, ao considerar que os europeus estão fazendo uma "desvalorização artificial de sua moeda", o que dificulta as exportações brasileiras. Merkel disse "compreender estas preocupações" e garantiu que esta é uma "medida temporária".

Desde o início da crise da dívida, o Banco Central Europeu (BCE) inunda os bancos da Eurozona com liquidez e mantém as taxas de crédito muito baixas, o que de fato converte a moeda europeia em uma divisa menos atrativa.

A chanceler alemã denunciou, no entanto, a tentação de responder a esta política com o "protecionismo", em uma alusão direta ao recente aumento no Brasil das taxas de importação para os veículos importados.

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