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Diga rápido: Björk viu o Eyjafkallajoekull

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 26/04/2010 17h41, última modificação 20/09/2010 17h42
O vulcão gera mais publicidade que a cantora pop islandesa

O vulcão gera mais publicidade que a cantora pop islandesa

A pequena, quase desértica e gélida Islândia, com seus pouco mais de 320 mil habitantes, nos deu mais uma lição de humildade. Parou praticamente o mundo com a erupção de um de seus vulcões, não fosse a ilha produto da atividade secular de vários deles. Na semana passada, escrevemos no site de CartaCapital que o ano parecia já ter esgotado sua capacidade cronológica de abrigar eventos, tamanha a quantidade de fatos relevantes – não faltou uma pitadinha de ironia – de janeiro a abril.
Tão logo levou um ponto final, o texto caducou. O vulcão da geleira Eyjafkallajoekull começava a rugir produzindo, entre lava e fumaça, um dos acontecimentos mais importantes do século. Se o ano de 2010 mal começou, o que dizer do século 21? É a História fluindo quente e fervendo entre magma e gases associados.

As imagens quase lisérgicas de rolos e rolos de fumaça, colorindo o céu de tons cinza e sépia, produzem formas fantásticas e notícias incomuns. Dali, de um pontinho no meio do Atlântico Norte, o vulcão se revela um agente remoto, interferindo brutalmente na Economia e no ir e vir das pessoas, entre outros transtornos. Alertam os cientistas que a atividade poderá ser maior ainda. Aguardemos deitados em camas de campanha. As cinzas já chegaram ao Canadá.

O homem, remetido à sua pequena condição de Ícaro, ficou impedido de voar em muitos céus. E não foi uma Hiroshima nem um 11 de Setembro sem vítimas. Foi um vulcão de nome, para nós, impronunciável, e quase “inescrevível”, que tem feito a mídia nacional e internacional rebolar para tentar pronunciar seu nome assaz consonantal.

Para sair da saia-justa, sugeriram apelidos até engraçados, reduzindo seu nome, ou o chamam simplesmente de “o vulcão da Islândia”, como se lá só tivesse um. Mas dá para entender. Nos últimos dias, o tal tornou a Islândia mais conhecida do que conseguiram sua filha pop, a cantora Björk, e a crise econômica do país em 2009, precursora da recente quebradeira mundial.

O fenômeno Eyjafkallajoekull atuou como um vulcão na curiosidade alheia e aumentou as buscas aos sites relacionados àquela terra gelada. Encafifados, como tantos, com o nomezinho da geleira que abriga a cratera ora fumegante, ficamos sabendo que o islenka é uma das línguas escandinavas mais conservadoras do mundo, em razão do isolamento geo-gráfico do país e de seu alto índice histórico de alfabetização. O islândes falado hoje não sofre modificações linguísticas significativas desde 1500, quando Cabral deu com os costados aqui.
- er mjúkur krakkar? (Tradução literal: É mole, galera?)

Basta!
Arruaceiros de plantão batucam e gritam nos coletivos cariocas. Mal se pode discernir se é assalto ou cantoria animada.

Na rua, os ônibus que voltaram a assombrar com suas hordas de arruaceiros de plantão, batucando na lataria e entoado seus muito particulares cânticos de guerra. Da calçada mal se pode discernir se a gritaria é algo dramático, como um assalto ou um motim em meio à muvuca, algo bastante plausível, ou pura zoação. Normalmente, a esbórnia não passa de esbórnia porque malandro que é malandro não bobeia.

Na maioria das vezes, os ônibus do barulho são apenas terror barato das gangues que se comprazem em assombrar os psicologicamente abalados habitantes da cidade, hirtos à espera de uma guerra a qualquer instante.

O metrô adquire nos fins de semana certo de ar de decadência. Vê-se lixo de toda espécie em seus vagões, que também andam sofrendo de falta de ar condicionado: papéis, garrafas de refrigerante e outros. E interrupções constantes no seu tráfego.

E para culminar com Choque de Ordem e que tais, a demagogia e o medo do politicamente incorreto pontuam mais uma vez o Rio, com sua orla loteada por cultos, missas, torneios esportivos, shows, ambulantes e que tais. Basta!