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Diferenças entre expectativas e realidades na Índia

por Paulo Yokota — publicado 29/05/2014 04h46
Narendra Modi, eleito primeiro-ministro, precisa agora mostrar a que veio

Efetivada a posse de Narendra Modi como primeiro-ministro da Índia, depois da arrasadora vitória eleitoral do seu partido Bharatiya Janata, passa-se das expectativas existentes para a dura realidade que precisa ser enfrentada com pragmatismo. Países importantes como os Estados Unidos, por intermédio do seu presidente Barack Obama, apressaram-se a cumprimentá-lo pela ascensão ao poder e convidá-lo a visitar Washington. Lembrando-se que George W. Bush tinha lhe negado visto em 2005, diante dos conflitos religiosos que ocorreram em Gujarat, província que era administrado por Narendra Modi. Também o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, telefonou-lhe convidando a visitar Londres, entendendo que o país desempenha um papel estratégico no sul da Ásia, considerando ter sido a Índia colônia britânica.

Narendra Modi foi cauteloso durante a sua campanha eleitoral concentrando-se nos assuntos econômicos e de gestão, pois sabia que assuntos étnico-religiosos poderiam complicar a vitória do seu partido, ainda que o Partido do Congresso, então no poder, estivesse desgastado com a redução do crescimento e a forte corrupção vigente no país. Considerado nacionalista, Modi já fez declarações fortes na região que a Índia tem conflito com a China, afirmando que aquele país vizinho teria que parar com a sua política de expansão. Tudo isto consta de um artigo elaborado por Satoshi Iwaki, publicado no site do Nikkei Asian Review.

Mesmo antes de confirmada a vitória eleitoral, a embaixadora dos Estados Unidos, Nancy Powell visitou Modi no seu estado natal em 13 de fevereiro último, quando diversos embaixadores anteriores foram proibidos de estabelecer contatos com ele. Os Estados Unidos não poderiam se manter isolados do dirigente de um país como a Índia e estava se preparando para promover a mudança de sua política.

Ainda existem resistências, principalmente de países como o Paquistão, seu grande vizinho muçulmano, com o qual existem pendências complexas, e que temem um nacionalismo hindu.

A Índia, desde sua independência em 1947, vem adotando uma política de não alinhamento, e manteve-se independente do Ocidente como do bloco soviético, mesmo durante o período da Guerra Fria. Ainda que tenha estabelecido contatos com a Rússia para poder tirar partido de sua cooperação econômica. Como também recebeu assistência técnica dos Estados Unidos, sem obter resultados promissores no seu planejamento econômico.

A Índia é hoje um país importante no bloco chamado BRICS, e deve procurar um papel relevante no mundo emergente, inclusive em organismos internacionais, onde possui muitos funcionários. Sua população continua crescendo e deverá ultrapassar a da China nas próximas décadas, tendo também a ambição de conseguir um desenvolvimento do tipo chinês, que permita elevar o padrão de vida de seu povo.

Uma vez no poder, Narendra Modi ficou com o difícil encargo de mostrar para o que veio, não sendo fácil repetir os resultados alcançados em Gujarat. Terá que ser pragmático também como as oportunidades que estão sendo apresentadas por poderosos países do mundo.

Apesar de sua oposição ao enfraquecido Partido do Congresso, que possui agora menos de 10% dos votos do Parlamento, terá que conseguir o apoio de bons profissionais que foram preparados nas grandes universidades como as inglesas, e que ocupam posições em muitos organismos internacionais.  Somente o apoio da classe média que veio ascendendo socialmente e que está ansiosa por conquistar espaços não parece ser suficiente.

A Índia conta com grandes grupos econômicos como o que controla a Arcelor Mittal, a maior siderúrgica do mundo, que possui no Brasil a siderúrgica de Tubarão. Também a Tata Group, líder mundial de consultoria na informática e comunicações, que atua no Brasil, e opera em sete setores econômicos diferentes. Dada a abundância dos seus recursos humanos acaba sendo importante em áreas como da informática, funcionando com “call center”, por disporem de muitos recursos humanos que dominam o inglês.

Considerando o PIB em termos de paridade poder de compra, a Índia já é a terceira no mundo, pois muitos produtos podem ser adquiridos naquele país por preços baixos. O intercâmbio comercial da Índia com o Brasil não é dos mais expressivos, pois são concorrentes em diversos setores, como minério. Mas, são importantes como nos remédios genéricos que necessitam em quantidade para atender a sua população. E avançam novamente na Segunda Revolução Verde, pois são grandes produtores de arroz que abastecem populações da Ásia e da África.

A população indiana sempre teve participação relevante na sua região asiática como na África, principalmente na costa leste. Por ter sido uma antiga colônia da Grã-Bretanha possui um importante contingente que imigrou para aquele país, além dos que estudaram nas universidades inglesas. Todos aguardam ansiosamente o que o futuro vai apresentar.

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