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Desleixo favorece chefe dos chefes da Cosa Nostra

por Wálter Maierovitch publicado 14/06/2013 09h27, última modificação 14/06/2013 10h38
Procurador Francesco Messineo deixou passar a oportunidade de prender Matteo Messina Denaro, apelidado “Diabolik”
Reprodução
Livro Matteo Messina Denaro

Livro sobre Matteo Messina Denaro

Volto ao capomafia Matteo Messina Denaro que, sem tirar os pés da siciliana região de Trapani, encontra-se foragido da Justiça desde 1983.

Em abril passado escrevi com exclusividade para CartaCapital sobre um de seus laranjas - o rei das eólicas -,  usado na reciclagem de capitais de procedência mafiosa.

Com efeito. Na sessão de quarta-feira 12, o Conselho da Magistratura na Itália, presidido pelo presidente da República Giorgio Napolitano, determinou a abertura de processo de transferência, por incompatibilidade para permanecer no ofício de procurador-chefe de Palermo, do magistrado Francesco Messineo.

Segundo o processo administrativo disciplinar, o procurador Messineo, por incúria, deixou passar a oportunidade de prender Matteo Messina Denaro, apelidado “Diabolik” e que, depois das prisões dos chefões Totó Riina e Bernardo Provenzano, tornou-se o “capo dei capi” (chefe dos chefes) para muitos especialistas em Cosa Nostra.

Em fevereiro passado, a procuradora Teresa Principato (colaboradora do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone) comunicou a Messineo que as chances de captura do foragido capomafia eram grandes. Isso porque, pela primeira vez em mais de 20 anos, o mensageiro (“postino”) de Messina Denaro havia sido identificado e fotografado quando lia as mensagens (“pizzini”) recebidas e deveria fazer circular.

O “postino” chama-se Leo Sutera. A procuradora Tresa Principato solicitou formalmente ao procurador-chefe Messineo para priorizar a vigilância com relação aos deslocamentos de Sutera, pois isso poderia levar ao capomafia Messina Denaro. Mais ainda, durante as diligências e escutas ambientais, o cumprimento de um certo e determinado mandato de prisão contra Sutera, expedido pela Justiça de Caltanissetta, deveria ser retardado.

Messineo fixou a Principato o prazo improrrogável de 30 dias para as diligências. Tão logo esse terminou, Messineo determinou a imediata prisão de Sutera por fatos que nada tinham com o capomafia Messina Denaro.

Assim, o procurador queimou a única pista que poderia levar a Matteo Messina Denaro. E o capomafia deve estar exultante, uma vez que a notícia e o motivo gerador do procedimento disciplinar contra o procurador Francesco Messineo acabam de ser revelados pela imprensa italiana.

A mídia italiana, a respeito, relembra três outros casos arquivados e que envolvem Messineo: (1) o do seu irmão, acusado de estelionato, (2) o referente ao cunhado que transpira odor de máfia e, por tabela, (3) uma ajuda (informação reservada) ao banqueiro que dera emprego ao seu filho.

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