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Desculpas não bastam

por Eduardo Graça — publicado 21/07/2011 09h00, última modificação 22/07/2011 11h33
Os escândalos dos grampos ilegais atravessa o Atlântico e ameaça a posição do magnata Rupert Murdoch também nos EUA

Este é o dia em que me sinto mais humilde em toda a minha vida.” A afirmação, pronunciada por Rupert Murdoch de modo imperativo, bem ao seu estilo, interrompendo o filho, James, no depoimento que ambos prestaram ao Parlamento britânico na terça-feira 19, sintetiza o tamanho do assalto às estruturas do segundo maior grupo de mídia e entretenimento do planeta, atrás apenas da Disney. Durante a semana, um anúncio de página inteira, assinado de próprio punho pelo bilionário australiano, pedia desculpas aos leitores por “sérios erros de julgamento”.

O texto foi publicado não apenas nos dois principais títulos britânicos da News Corp., o vetusto Times e o tabloide Sun, mas nos principais jornais da concorrência, incluindo o Financial Times, o Independent e até mesmo o Guardian, responsável pelas denúncias que podem, de acordo com especialistas em mídia, alterar significativamente o tabuleiro político nos dois lados da poça – como americanos e ingleses se referem, jocosamente, ao Atlântico Norte. Murdoch também é dono do jornal de maior circulação dos Estados Unidos, o Wall Street Journal, do tabloide The New York Post, do estúdio de cinema 20th Century Fox, de dezenas de canais locais de tevê aberta e do canal de notícias 24 horas de maior audiência nos EUA, a Fox News, ultraconservadora e de oposição declarada ao governo Obama.

“Um amplo pedido de desculpas seria a melhor definição para o conglomerado de Murdoch. Eles são piratas da imprensa, uma gente que despreza as leis e a decência, e que, como bem disse William Shawcross em sua biografia do empresário, ‘espalha mexericos, sensacionalismo e vulgaridades’ para conquistar leitores, e usa histórias inventadas ou distorcidas com o objetivo de alimentar uma agenda ideológica de extrema-direita. Mas as desculpas também deveriam vir dos políticos americanos e britânicos que se deixaram seduzir pelo dinheiro de Murdoch-, temendo seu poder”, disparou a editora-chefe da The Nation, Katrina vanden Heuvel, no mais duro ataque àquele a qual ela outorgou os epítetos de “Cidadão Murdoch” e “ex-intocável”, em sua coluna semanal no Washington Post.*

*Leia a íntegra da matéria na edição 656 de CartaCapital, nas bancas nesta exta-feira 22

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