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"Democracia no Paraguai foi ferida", diz Lula

por Piero Locatelli — publicado 25/06/2012 19h35, última modificação 06/06/2015 17h29
O ex-presidente criticou o fato de o Congresso não ter dado tempo sequer para Fernando Lugo se defender

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta segunda-feira 25, pela primeira vez, o impeachment relâmpago do qual foi vítima o agora ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo. Durante evento para confirmar o apoio do PCdoB a Fernando Haddad (PT) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Lula disse entender que a "democracia" foi ferida.

Lula não quis falar como ex-chefe de Estado e jogou a decisão nas mãos da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), mas afirmou que "enquanto cidadão brasileiro acho que a democracia do Paraguai foi ferida”. Lula criticou o fato de Lugo não ter tido tempo para se defender. Todo o processo de impeachment levou apenas 36 horas. "Apesar de deputados e senadores dizerem que cumpriram a Constituição, não deram tempo sequer para o presidente se defender", afirmou. "Nunca vi um julgamento sumário que em 24 horas foi capaz de depor um presidente que demorou 60 anos para ser eleito", disse Lula, em referência ao fato de que a eleição de Lugo, em 2008, ter acabado com um domínio de seis décadas do conservador Partido Colorado na política paraguaia.

Lula também se negou a dizer se achava que os fatos ocorridos no Paraguai consistem ou não um golpe de Estado. "Não adianta eu achar que foi golpe porque eles dizem que não foi", disse.