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De volta à rotina

De volta ao Brasil

por Rota Inca — publicado 29/07/2010 15h00, última modificação 11/08/2010 15h03
Vitor Taveira cobriu a Rota Inka 2009 e inicia agora uma série de artigos e perfis colhidos na Colômbia e no Equador. Conheça a história de Giuliana Brandão, uma das jovens brasileiras que participou da expedição

Vitor Taveira cobriu a Rota Inka 2009 e inicia agora uma série de artigos e perfis colhidos na Colômbia e no Equador. Conheça a história de Giuliana Brandão, uma das jovens brasileiras que participou da expedição

Voltar à rotina de antes leva um tempo. Quarenta dias acordando ao lado de muitas pessoas, inicialmente desconhecidos que depois se tornariam grandes amigos. Uma mochila é tudo que voce tem e cada dia vai a um lugar diferente. A carioca Giuliana Brandão, 21 anos, foi uma das aventureiras que encarou esse desafio juntamente com quarenta jovens de outros países na Ruta Inka 2009.

Ela trabalhava como estagiária no Consulado do Equador, através do qual conheceu o projeto da expedição que esse ano ia conhecer territórios colombianos e equatorianos. Decidiu candidatar-se e foi aceita pela organizacao do evento. Ela já tinha feito um intercâmbio na Nova Zelandia e estava em busca de outra experiência de diversidade cultural. “Não poderia ter surgido uma oportunidade melhor para conhecer o país ao qual tanto me dediquei no trabalho”, explica ela.

A brasileira já chegou preparada para enfrentar situações adversas como dormir em alojamentos militares e comer o que lhes fosse servido. Ela se afirma supreendida com a boa recepção nos quartéis mas que o cardápio pouco variado e às vezes pouco saboroso foi um pouco difícil de digerir no comeco. “Depois a gente acostuma, é bom pra aprender que nem sempre você pode comer o que quer e aprende a dar valor ao que tem.”

Por ser brasileira, Giuliana foi muitas vezes requisitada para dar uma demonstração de samba. Como carioca, não decepcionou. Samba no pé e pé na estrada. As praias obviamente não iriam impressionar alguém que nasceu e cresceu no Rio de Janeiro. Ela destaca a breve passagem pela amazônia equatoriana, onde os viajantes puderam nadar no rio, ver jibóias e até praticar tirolesa (descida em cabos de aco).

O outro ambiente que chamou a atenção dela foi a regiao montanhosa da Cordilheira dos Andes, onde os expedicionários transitaram a maior parte do tempo entre montanhas imensas, povos indígenas e animais típicos como as lhamas. Nas visitas aos povoados encontrou gente muito reservada, mas portadora de culturas diferentes e bonitas que não conhecia e pelas quais passou a se interessar. “Conhecer outras culturas e conviver com gente de outros países é muito importante para quem quer seguir carreira diplomática porque a profissão exige saber compreender e lidar com outras culturas e pessoas diferentes”, afirma ela, que estuda Relações Internacionais.

O aprendizado cultural não ficou restrito às comunidades visitadas. Foi um fluxo ininterrupto durante os quarenta dias de rota, já que seus companheiros de viagem tinham outras 13 nacionalides. Tímida no começo porque a maioria dos participantes falava espanhol fluentemente, Giuliana foi aos poucos melhorando seu domínio da outra língua, que sempre foi um motivo de descontração pelas diferencas de sotaques e expressoes de um país para outro. “Ao falar acabo misturando um pouco de cada lugar... Peru, Espanha, Paraguai, etc.”

Ao final, a representante brasileira afirma que depois da experiência consegue ver o mundo de maneira mais ampla e aprendeu a ser tolerante com pessoas de costumes diferentes e aceitar e entender essas diferencas. “A Ruta Inka é uma oportunidade de mostrar ao mundo uma cultura quase esquecida. Acredito que a integração e reafirmação dessas culturas é extremamente importante. É mostrar que mesmo no mundo globalizado e capitalista em que vivemos hoje, ainda existem povos que não abriram mão de suas origens, de suas raízes, e continuam a viver de uma forma simples e feliz.”

Ao terminar a expedição, a jovem aproveitou para extender a viagem até o Peru e conhecer Cuzco e Machu Picchu, considerados capital arqueológica da América do Sul e Patrimonio Cultural da Humanidade. De volta ao Brasil, ela retornou aos estudos, relatou sua experiencia e apresentou à sua faculdade e colegas o projeto.

Giuliana pretende participar novamente no próximo ano e ajudar a despertar o interesse de outros brasileiros, porque acredita que mais que uma viagem de férias, trata-se de uma experiencia de vida que todos deveriam passar. “É uma aventura que testa seus limites e força de vontade e lhe abre as portas de um mundo que jamais pensou existir. Você volta mais forte mais sábio e mais indepente, acreditando que nada é impossível”.

Agora é hora de aplicar os conhecimentos e experiências adiquiridas da viagem no cotidiano. Os companheiros de expedoçãoo voltaram aos seus países e mantem contato pela internet. “Sinto saudades de cada momento e cada pessoa, mas isso só dá certeza de que valeu a pena”.

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