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Cultura e história do sul colombiano

por Rota Inca — publicado 28/07/2010 12h50, última modificação 10/08/2010 14h17
Os expedicionários da Rota Inca 2009 começaram a chegar na sexta-feira (3 de julho) para o evento que começaria no dia seguinte em San Juan de Pasto. A cidade está localizada no departamento de Nariño, no sul colombiano, e é conhecida como “cidade surpresa”, pela quantidade de narrativas incríveis que remontam aos tempos da independência e da república

Os expedicionários da Rota Inca 2009 começaram a chegar na sexta-feira (3 de julho) para o evento que começaria no dia seguinte em San Juan de Pasto. A cidade está localizada no departamento de Nariño, no sul colombiano, e é conhecida como “cidade surpresa”, pela quantidade de narrativas incríveis que remontam aos tempos da independência e da república

Os viajantes puderam conhecer algumas dessas histórias ao longo do percurso do primeiro dia, durante o qual visitaram algumas das muitas igrejas da cidade, praças, casas de estilo colonial e museus e centros de cultura municipais. Foram guiados por uma equipe ampla que incluía estudantes universitários, profissionais de turismo, estudantes de ensino médio e polícia de turismo.

Uma dessas histórias remonta aos tempos da independência e, segundo os pastusos (assim se chamam os nativos da cidade), trata-se de uma mancha negra na história gloriosa dos libertadores da América. Pasto caracterizou-se historicamente por estar na contramão das mudanças políticas que aconteciam no continente. Quando boa parte da América do Sul acenava em favor da independência política, a cidade era fortemente marcada pela influência da Igreja Católica e da Coroa espanhola e se posicionou a favor do exército real.

No dia 24 de dezembro de 1822, tropas independentistas atacaram a cidade de Pasto aproveitando-se de que a população estava mobilizada para as os festejos natalinos. O resultado foi um massacre que durou dias e matou centenas de habitantes da cidade. Até hoje os moradores de Pasto indignam-se ao dizer que em esses dias igrejas foram invadidas e saqueadas e mulheres e crianças violadas pelos militares do exército libertador.

Mas logo os pastusos já têm na ponta da língua outra narrativa curiosa para contar e rapidamente o rancor por esse ataque militar se transforma em suspense de outra história que a seguir já é sucedida por uma outra ainda mais fantástica.

Claro que história não existe sem cultura e por isso os expedicionários foram conhecer o Teatro Imperial, mais imponente obra colonial da cidade, onde puderam apreciar apresentação de danças folclóricas locais como o guaneño e os san juanito. Ao final, dois dos jovens foram convidados a subir ao palco e aprender os passos dos bailes típicos. Apenas um prelúdio do que viria acontecer mais tarde, pois, sabendo ou não os passos, terminariam todos dançando, no melhor dos sentidos, é claro.

Primeiro dia termina em carnaval ao estilo regional

Depois de um longo dia de caminhadas pela cidade, expedicionários e apoiadores se reuniram em um centro cultural para a abertura oficial da Rota Inca 2009. Nesse momento um novo grupo de aventureiros recém chegados se juntaram aos outros que vinham do tour por Pasto e logo já se somavam 15 diferentes nacionalidades e quase 40 jovens viajantes.

As tradicionais saudações proferidas pelas diferentes pessoas envolvidas com o evento foram seguidas imediatamente pelo batuque carnavalesco tocado por um grupo de crianças da zona rural de Pasto. Ao primeiro acorde já não se via corpos parados. Em meio ao baile se conheciam e apresentavam os novos integrantes da Rota e dançavam todos os responsáveis pelo sucesso do primeiro dia: policiais, organizadores, estudantes locais e jovens estrangeiros cobertos com as bandeiras de seus países.

Logo apareceu tinta negra e, querendo ou não, todos acabaram com os rostos pintados. Momentos depois, espuma e farinha invadiram os ares e cobriram de branco os corpos dançantes. Estava feita uma festa tipicamente pastusa: em preto e branco. As comemorações do tradicional carnaval de Pasto começam em dezembro e culminam em janeiro com a celebração do dia dos negros e dia dos brancos.

O dia dos brancos começou a ser celebrado no início do século 20 como uma brincadeira entre aristocratas que jogavam-se pó branco no dia 6 de janeiro, festa de Reis Magos. Das casas nobres o jogo ganhou as ruas e se popularizou na cidade. A história do dia dos negros remonta o século 15, quando os escravos africanos se rebelaram pedindo um dia de descanso e liberdade, que lhes foi concedido pelo governo espanhol no dia 5 de janeiro, véspera do Dia de Reis Magos. Assim, saíram às ruas livres do trabalho para um dia de festa. Essa história é representada pelos foliões que pintam suas caras de negro. Ou seja, de negro ou de branco, todos podem sair às ruas festejar. O carnaval de Pasto é um dos mais tradicionais da Colômbia e atrai muitos turistas anualmente entre os dias 2 e 7 de janeiro.

A programação da Rota seguiu com apresentações de grupos de música e balé folclóricos. Os jovens que antes se diziam cansados pelo longo dia de percurso pela cidade pareciam renovados com a dança e querendo mais ao final. Se bem que não era exatamente um final, e sim o começo da Rota Inca, que ainda tem mais de um mês pela pra frente.

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