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Internacional

Guerra das Malvinas

Cristina Kirchner pede ajuda à Cruz Vermelha para localizar mortos

por Agência Brasil publicado 03/04/2012 10h46, última modificação 03/04/2012 10h47
123 soldados ainda não foram encontrados desde o conflito contra a Inglaterra em 1982
kirchner_américa latina apoia Malvinas

Os países latino-americanos apoiaram de forma unânime a Argentina ©AFP / juan mabromata

De Monica Yanakiew

Buenos Aires – A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, pediu nesta segunda-feira 2 a ajuda da Cruz Vermelha Internacional para identificar os corpos de 123 soldados mortos no conflito armado de 1982 com o Reino Unido, pelo controle das Ilhas Malvinas (também conhecidas como Ilhas Falkland). Ao homenagear os veteranos e desaparecidos da guerra, em solenidade realizada em Ushuaia, capital da província de Terra do Fogo, ela reafirmou que a Argentina continuará reivindicando a posse das ilhas no plano diplomático.

Durante a solenidade, a presidenta da Argentina anunciou que será inaugurado, em agosto de 2012, o Museu das Malvinas, com objetos, fotografias e outros artigos destinados a lembrar as ilhas e associar o arquipélago à cultura e aos valores da Argentina.

A cerimônia marcou os trinta anos do início da guerra, que durou 74 dias.  Cristina Kirchner condenou a decisão do então ditador argentino, general Leopoldo Galtieri, de tentar recuperar as ilhas pela força, enviando recrutas sem qualquer preparo para enfrentar as tropas britânicas. No conflito morreram três civis  kelpers(moradores das ilhas), 265 soldados britânicos e 649 argentinos. Mais de duzentos argentinos mortos em combate foram enterrados em um cemitério nas Malvinas. Desse total, 123 cruzes não têm identificação.

A guerra terminou no dia 14 de junho, com a rendição argentina. A derrota levou à queda do regime militar, que governou a Argentina de 1974 a 1983, responsável pelo desaparecimento de 30 mil opositores. No discurso, Cristina lembrou que, desde 2003, quando seu marido, Néstor Kirchner, foi eleito presidente, a Argentina tem reaberto processos contra centenas de militares, acusados de violar os direitos humanos na ditadura. Mas, segundo ela, os erros do passado não justificam a posição do Reino Unido de ignorar as resoluções da Organização das Nações Unidas, pedindo aos dois países para negociarem de forma diplomática a soberania das ilhas.

 

Ushuaia, local da cerimônia, fica no Extremo Sul da Argentina. Em Buenos Aires, violentas manifestações marcaram o aniversario dos trinta anos da guerra. Manifestantes, com rostos cobertos e armados com coquetéis molotov,  tentaram marchar ate a embaixada britânica. Foram reprimidos pela policia.

Nas Ilhas Malvinas, o dia 2 de abril é considerado uma data trágica. Os quase três mil moradores das ilhas comemoram a vitória britânica em data diferente: 14 de junho. E rejeitam qualquer negociação sobre a soberania do arquipélago, que fica a 500 quilômetros da costa argentina.  A maioria vive no território há varias gerações e não quer trocar de nacionalidade, especialmente agora que a população enriqueceu. Por causa da guerra, os britânicos construíram uma base militar, aeroporto e estradas.  E investiram na exploração de pesca e petróleo.

*Matéria originalmente publicada em Agência Brasil 

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