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Crise e conflitos raciais na onda de violência em Tottenham

por Redação Carta Capital — publicado 08/08/2011 14h31, última modificação 10/08/2011 17h01
Londres vive novos saques e prisões na madrugada deste domingo. Conflitos começaram após polícia ter matado um morador negro na quinta-feira
Crise e conflitos raciais na onde de violência em Tottenham

Londres em noite de saques e prisões. Conflitos começaram após polícia ter matado um morador negro na quinta-feira. Foto: Leon Neal/AFP

Londres viveu uma segunda noite de violência, saques e detenções na madrugada deste domingo para a segunda-feira. A polícia metropolitana prendeu mais de 100 pessoas e nove oficiais ficaram feridos. Somados aos distúrbios no bairro de Tottenham na noite de sábado, o número total de presos chega a 170, com 35 policiais feridos.

Ao que parece, a violência vista neste domingo nos bairros de Enfield, ao norte, Walthamstow, a leste, e Brixton, ao sul, teve motivação diferente dos tumultos que ocorreram em Tottenham. Em Tottenham, os confrontos com a polícia iniciaram-se de forma mais espontânea, quando manifestantes se uniram a um grupo de 300 pessoas que protestavam contra a morte de Mark Duggan, negro de 29 anos, supostamente assassinado em uma operação policial. Ainda é incerto qual foi o estopim que causou o conflito direto entre manifestantes e policiais. Na ocasião, garrafas foram atiradas contra viaturas e um ônibus de dois andares foi incendiado. Houve incêndios também em algumas lojas e edifícios próximos, logo contidos pelos bombeiros.

A violência vista nos bairros de Enfield, Walthamstow e Brixton foi promovida por grupos menores e mais dispersos, de acordo com um porta-voz da Polícia Metropolitana londrina. "Em Tottenham, o incidente pode ter sido iniciado por jovens ressentidos com o que viam como perseguição policial. Na noite passada (domingo), havia uma impressão de que os saques, a violência e a desordem em Londres estavam sendo coordenados nos sites de mídia social", relatou o jornalista Andy Moore, da BBC. A própria família de Mark Duggan declarou que não apóia os atos de depredação na capital.

Tensões raciais
Em muitos aspectos, a tensão social ocorrida em Tottenham se assemelham às revoltas nos subúrbios de Paris em 2005. Em tempos de crise, o bairro de Tottenham possuí uma das taxas de desemprego mais altas da Grã Bretanha. Além do mais, o bairro tem sido destino de imigrantes vindos do leste europeu nos últimos anos. Conforme relato de uma moradora ao El País, o bairro convivia com tensões entre a polícia e moradores. “A polícia pediu meus documentos já quatro vezes”, relatou. Mark Duggan estava num táxi parado pela polícia em uma operação contra o porte de armas pela comunidade afro-caribenha no bairro. Há diferentes versões sobre a sua morte. A polícia afirma que vieram disparos de dentro do táxi contra os oficiais. Também já circulou a versão de que Duggan estava deitado no chão quando o mataram.

Além do mais, a polícia de Londres reagiu de forma muito mais enfática ao ocorrido no domingo. As autoridades chegaram ao local rapidamente e realizaram um número de detenções maior do que em Tottenham, apesar do nível de violência ter sido menor. Uma resposta mais forte pela polícia serve para responder aos críticos que acusam a coorporação de ter sido pouco efetiva em Tottenham e para desestimular futuras ações. Até o momento, 16 pessoas já foram indiciadas por crimes como roubo, violência e posse de arma. Nos distúrbios de Tottenham, um agente policial morreu.

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