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Coreia do Sul terá primeira mulher como presidente

por AFP — publicado 19/12/2012 13h57, última modificação 19/12/2012 13h57
A conservadora Park Geun-Hye, filha de um antigo ditador, derrotou o candidato de centro-esquerda por uma pequena vantagem
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Park Geun-Hye, presidenta eleita da Coreia do Sul, acena para apoiadores em evento nesta quarta-feira 19, em Seul, onde ela acompanhou a apuração. Foto: Jung Yeon-Je

Os cidadãos da Coreia do Sul elegeram nesta quarta-feira 19 como chefe de Estado uma mulher, pela primeira vez na história do país, segundo as emissoras de televisão, que anunciaram uma vitória segura da candidata do partido conservador, Park Geun-Hye. Park, de 60 anos, filha de Park Chung-Hee, ditador que comandou o país durante 18 anos até seu assassinato em 1979, terá a vitória "com certeza", após a apuração de 40% dos votos, anunciaram os canais de televisão KBS, SBS e MCB.

Uma pesquisa conjunta dos três canais de televisão divulgada ao fim da votação apontava 50,1% dos votos a Park e 48,9% a seu adversário de centro-esquerda, Moon Jae-In. Os simpatizantes da candidata receberam com entusiasmo o anúncio da pesquisa na sede do Partido da Nova Fronteira (PNF), mas nenhum candidato reivindicou a vitória ou reconheceu a derrota.

Em dia eleitoral que foi feriado, 40,5 milhões de sul-coreanos estavam registrados para comparecer às urnas. As pesquisas antes da votação já mostravam uma disputada apertada entre Park, do PNF, e Moon, do Partido Democrata Unido (DUP, centro-esquerda, principal partido de oposição).

Park Heun-Hye é a filha de Park Chung-Hee, um brutal autocrata, que promoveu a industrialização forçada do país e que permaneceu no poder até o assassinato em 1979. A mãe dela foi morta em 1970 por um militante favorável à Coreia do Norte, que tinha a intenção de atingir o ditador com seus tiros. "Estimulo os eleitores a desafiar o frio e votar para abrir uma nova era neste país", declarou Park depois de depositar seu voto em Seul, onde a temperatura era de 10 graus negativos.

Moon Jae-In, 59 anos, é uma das principais figuras da oposição no período sombrio do país e um adversário notório dos militares. Ele foi preso nos anos 70 pela defesa da democracia. "Destas eleições dependem nossos meios de existência, a democratização da economia, a previdência social e a paz na península coreana", afirmou Moon ao votar na cidade meridional de Busan.

Os dois tentaram atrair a classe média e os mais desfavorecidos, com promessas de combater as crescentes desigualdades na quarta economia asiática. A Coreia do Norte não foi sequer um tema da campanha eleitoral, apesar de Pyongyang ter executado um lançamento de foguete na semana passada, coincidindo com o primeiro aniversário da morte do dirigente comunista Kim Jong-Il.

Park e Moon manifestaram o desejo de estimular as relações entre as duas Coreias. Park foi mais reservada, no entanto, porque os conservadores defendem há muito tempo uma linha intransigente com Pyongyang. Moon defende a retomada da ajuda sem condições à Coreia do Norte e pediu uma reunião com o dirigente deste país, Kim Jong-Un, filho de Kim Jong-Il.

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