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Internacional

Tensão na Ásia

Coreia do Norte recomenda desocupação de embaixadas no país

por Redação Carta Capital — publicado 05/04/2013 12h20, última modificação 05/04/2013 16h52
Com aumento da tensão na Ásia, regime de Kim Jong-um diz não poder garantir a segurança de diplomatas em caso de conflito

*Atualizado às 16h35 de sexta-feira 5.

Com o aumento da tensão entre Coreia do Norte, Estados Unidos e Coreia do Sul, o regime de Kim Jong-um afirmou nesta sexta-feira 5 que não poderá garantir a segurança das embaixadas estrangeiras na capital Pyongyang a partir de 10 de abril em caso de conflito.

O regime recomendou que os diplomatas das 24 embaixadas que funcionam no país deixem a Coreia do Norte. Entre os notificados estão Brasil, Rússia e China, a principal aliada da Coreia do Norte. O anúncio vale também para organizações internacionais.

Oficialmente, Reino Unido e Moscou afirmaram que não fecharão suas unidades diplomáticas. O Brasil também decidiu manter sua embaixada aberta, embora ainda analise a retirada de seus funcionários.

O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano também informou que deve criar um plano para retirar estrangeiros que quiserem sair do país ou deixar a capital.

"Acreditamos que os norte-coreanos adotaram esta atitude como parte de sua ofensiva retórica, segundo a qual os EUA são uma ameaça para eles", declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido.

O ministério confirmou que as autoridades britânicas foram interrogadas por Pyongyang sobre suas intenções de manter ou não a embaixada, assim como Moscou. "Pelo que entendemos, eles querem saber se os funcionários das embaixadas têm a intenção de partir, mas do que aconselhá-los a partir."

Em meio ao aumento de seu discurso belicoso, a Coreia do Norte transportou um segundo míssil de médio alcance para sua costa oriental e o instalou em um lança-mísseis móvel, informou a agência sul-coreana Yonhap, o que aumenta o temor de um disparo iminente que agravaria a situação.

Pyongyang multiplica as ameaças de ataque há várias semanas em resposta à nova série de sanções da ONU depois de um teste nuclear em fevereiro.

Um funcionário da marinha de guerra da Coreia do Sul indicou que dois destróieres sul-coreanos equipados com radares sofisticados foram mobilizados, um na costa leste e outro na costa oeste. "Se o Norte lançar um míssil, seguiremos sua trajetória", declarou.

   

O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira 4 que está tomando todas as precauções necessárias para enfrentar a escalada de ameaças, mas disse não estar surpreso com Pyongyang. "O que estamos vendo agora é um padrão familiar de comportamento, lamentável", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

O Pentágono enviará interceptadores de mísseis para proteger suas bases de Guam, uma ilha do Pacífico situada a 3.380 quilômetros da Coreia do Norte e onde há 6 mil soldados americanos mobilizados. Pyongyang cita a ilha frequentemente como um potencial alvo.

O míssil Musudan, mobilizado pela primeira vez por ocasião de um desfile militar em outubro de 2010, tem, teoricamente, um alcance de 3 mil quilômetros, ou seja, poderia chegar ao Japão.

Seu alcance pode chegar a 4 mil quilômetros se transportar uma carga leve, com a qual, em teoria, conseguiria atingir Guam.

Segundo fontes de inteligência militar citadas por uma agência de notícias sul-coreana, a Coreia do Norte pode lançar um míssil em 15 de abril, aniversário do nascimento do fundador do regime comunista, Kim Il-Sung, falecido em 1994.

Incerteza

O exército norte-coreano advertiu nesta semana que uma guerra poderia explodir "hoje ou amanhã". "Os Estados Unidos devem refletir sobre a grave situação atual", disse, considerando que os voos de bombardeiros B-52 e B-2 americanos sobre a Coreia do Sul eram a causa do agravamento da crise.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, "a ameaça nuclear não é um jogo". Ele disse temer que "qualquer erro de julgamento nesta situação possa produzir uma crise na península da Coreia que teria consequências muito graves".

O complexo industrial intercoreano de Kaesong, convertido em um peão estratégico na guerra dialética entre Pyongyang, Seul e Washington, estava fechado, como em todas as sextas-feiras.

Desde quarta-feira 3, Pyongyang proíbe o acesso a Kaesong, polo industrial situado em território do Norte, a 10 km da fronteira com o Sul, aos sul-coreanos que vão diariamente trabalhar no complexo. Pyongyang autoriza que os cidadãos do Sul deixem o complexo, mas um total de 608 sul-coreanos decidiram permanecer e continuar trabalhando.

Seul está pronto para retirar seus cidadãos "por sua própria segurança se a situação exigir", declarou nesta sexta-feira o ministro da Unificação, Ryoo Kihl-Jae, indicando que não é o caso até o momento.

Com informações AFP.