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Internacional

Guerra das Coreias

Coreia do Norte já escolheu seu primeiro alvo em caso de conflito

por AFP — publicado 12/03/2013 10h47, última modificação 12/03/2013 10h47
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, designou uma ilha com 5 mil habitantes, próxima a fronteira marítima entre as duas Coreias, como o primeiro alvo em caso de guerra

SEUL (AFP) - O dirigente da Coreia do Norte, Kim Jong-Un, designou uma pequena ilha sul-coreana, perto da fronteira marítima entre os dois países, como primeiro alvo em caso de conflito,  informou a imprensa estatal. A tensão na península está elevada desde os último teste nuclear norte-coreano, em 12 de fevereiro, e se intensificou após Pyongyang romper o armistício que acabou com a Guerra da Coreia em 1953.

A ilha de Baengnyeong será o primeiro alvo do exército norte-coreano, anunciou o líder Kim Jong-Un, durante uma visita aos quartéis militares próximos da fronteira na segunda-feira 11. A declaração do dirigente da Coreia do Norte foi entendida como uma provocação, já que no mesmo dia, Washington e Seul davam início a manobras militares conjuntas, muito criticadas por Pyongyang.

Baengnyeong tem 5 mil habitantes e é base de várias unidades militares.

Nos últimos dias, a Coreia do Norte ameaçou com uma "guerra termonuclear" e advertiu o governo dos Estados Unidos que estava exposto a um "ataque nuclear preventivo". Além disso também rompeu com o armistício que pôs fim à Guerra das Coreias.

A Coreia do Sul, contudo, se negou nesta terça-feira 12 a reconhecer a decisão da Coreia do Norte de denunciar unilateralmente o armistício alcançado há 60 anos pelos dois países e exigiu que Pyongyang encerre a nova retórica belicista.

"A denúncia unilateral ou o cancelamento do acordo de armistício não estão previstos em seus próprios dispositivos nem no direito internacional", afirmou à imprensa o porta-voz do ministério sul-coreano das Relações Exteriores, Cho Tai-Young.

Testes nucleares
Na origem do clima explosivo está o lançamento em dezembro pela Coreia do Norte de um foguete, considerado por Seul e seus aliados como um míssil balístico. Em fevereiro, o país executou o terceiro teste nuclear, ao qual o Conselho de Segurança da ONU respondeu com novas sanções contra Pyongyang na sexta-feira passada.

Em novembro de 2010, Pyongyang bombardeou a ilha de Yeonpyeong, também próxima da fronteira marítima, um ataque que matou quatro sul-coreanos.

"Uma vez dada a ordem, deverão romper a coluna dos inimigos dementes, deverão cortar o pescoço e assim mostrar claramente o que é uma verdadeira guerra", disse Kim Jung-Un, de acordo com declarações divulgadas pela agência oficial norte-coreana KCNA.

Um funcionário do governo da ilha ameaçada, Kim Young-Gu, disse que os abrigos para civis estavam preparados para receber a população e que todos estavam em alerta. "Não há uma fuga em massa para o continente, mas, para ser sincero, existe um pouco de medo", declarou à AFP.

Pyongyang questiona a linha de delimitação marítima entre o Norte e o Sul, traçada pela ONU depois da Guerra da Coreia (1950-1953). Vários confrontos letais entre os dois países aconteceram na região nos últimos anos.

Para o ministério sul-coreano da Defesa, o Norte tenta exercer "uma pressão psicológica" sobre a Coreia do Sul e deve iniciar em breve manobras militares. "Se o Norte provocar, responderemos de maneira a causar mais danos", declarou o porta-voz do ministério, Kim Min-Seok.

Na segunda-feira, o Departamento do Tesouro americano decidiu aplicar sanções contra o Banco Norte-Coreano de Comércio Exterior (FTB), para conter a entrada de divisas que Pyongyang utiliza para financiar seus programas nuclear e balístico.

A Casa Branca admitiu preocupação com a "retórica belicosa da Coreia do Norte", mas destacou que o país não conseguirá nada com ameaças e provocação.

Na segunda-feira, Coreia do Sul e Estados Unidos - país que mantém 28.500 soldados no sul da península - iniciaram as manobras militares anuais, chamadas de "Key Resolve", que são em sua maioria virtuais, mas que mobilizam milhares de soldados (10.000 sul-coreanos e 3.500 americanos).

Como em todos os anos, Pyongyang condenou os exercícios, que compara a uma invasão do Norte pelo Sul com a ajuda de Washington, e suspendeu o telefone vermelho, a linha de comunicação entre Pyongyang e Seul para casos de emergência.

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