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Internacional

Tensão na Ásia

Coreia do Norte ameaça Coreia do Sul e irrita China

por AFP — publicado 25/01/2013 09h31, última modificação 25/01/2013 09h31
O país classificou também os EUA como seu "pior inimigo", em resposta às sanções da ONU após o lançamento de um foguete

A Coreia do Norte ameaçou nesta sexta-feira a Coreia do Sul com represálias físicas caso se associe às novas sanções votadas nesta semana pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, provocando a irritação de sua aliada China, que comprometeu sua credibilidade ao votar esta resolução, que impõe sanções limitadas.

"Se os traidores do regime fantoche da Coreia do Sul participarem diretamente das alegadas 'sanções' das Nações Unidas, serão tomadas severas represálias físicas", advertiu o Comitê norte-coreano para a Reunificação Pacífica da Pátria em um comunicado divulgado pela agência de notícias oficial KCNA.

A Coreia do Norte anunciou na quinta-feira sua intenção de realizar um novo teste nuclear em uma data que ainda não foi definida, um desafio aos Estados Unidos, seu "pior inimigo", e uma resposta às sanções da ONU após o lançamento em dezembro de um foguete considerado por Washington como um míssil balístico.

"Estas sanções são uma declaração de guerra contra nós", considerou o Comitê norte-coreano.

Washington denunciou imediatamente as ameaças norte-coreanas.

"A declaração da Coreia do Norte é uma provocação desnecessária", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, acrescentando que um novo teste nuclear seria uma violação significativa das sanções da ONU e isolaria Pyongyang ainda mais.

O secretário de Defesa, Leon Panetta, ressaltou, por sua vez, que os Estados Unidos estão plenamente preparados para encarar um teste como esse.

Um novo teste nuclear norte-coreano seria o terceiro, depois dos realizados em 2006 e 2009 que respondiam já na época às sanções votadas na ONU depois dos lançamentos de foguetes.

Na resolução, o Conselho de Segurança expressou "sua determinação em adotar medidas significativas" no caso de uma nova infração.

De acordo com os princípios da resolução, Washington adotou novas sanções contra entidades ou indivíduos acusados pelos Estados Unidos de contribuir com o programa nuclear da Coreia do Norte.

O governo americano informa que estas medidas respondem à resolução 2087 do Conselho de Segurança da ONU votada na terça-feira após o lançamento de 12 de dezembro.

Este texto é fruto de intensas negociações entre Washington e China, que votou a favor depois de ter defendido uma simples declaração.

Em uma rara advertência a sua aliada, a China afirmou nesta sexta-feira que não hesitará em reduzir sua ajuda à Coreia do Norte se Pyongyang realizar um novo teste nuclear.

"Se a Coreia do Norte realizar novos testes nucleares, a China não vacilará em reduzir sua ajuda" ao regime de Kim Jong-Un, escreve o Global Times em um editorial, no qual afirma que a situação na península coreana coloca Pequim diante de um dilema.

"Parece que a Coreia do Norte não aprecia os esforços da China. Critica a China sem dizer seu nome explicitamente", prossegue o editorial do jornal em língua inglesa.

O Global Times, cujas versões em inglês e chinês do editorial são iguais, é um jornal do grupo do Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista chinês (PCC).

O jornal responde a uma declaração norte-coreana que se referia implicitamente à China ao falar destes "grandes países (...) que abandonam sem hesitar até os princípios mais elementares, por influência do arbitrário americano".

"Deixemos a Coreia do Norte com sua 'ira'", escreve o jornal, acrescentando que "a China deve reduzir suas expectativas quanto aos efeitos de suas estratégias com a península", porque "nos afastamos cada vez mais do objetivo de sua desnuclearização".

Esta polêmica entre Pequim e Pyongyang através da imprensa não tem precedentes. Segundo os analistas, é o reflexo do cansaço e de certa impotência por parte da China para influenciar seu aliado e suas ambições nucleares.

A Coreia do Norte, onde a fome deixou centenas de milhares de mortos na década de 1990, sobrevive economicamente graças ao apoio chinês e à ajuda alimentar internacional.

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