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Grécia

Conservadores se declaram vencedores das eleições

por Redação Carta Capital — publicado 17/06/2012 18h07, última modificação 06/06/2015 17h37
Líder de partido ganhador diz que povo escolheu ficar no euro e 'honrar compromissos' com União Europeia
grecia

©AFP / Andreas Solaro

O partido conservador Nova Democracia (ND) se declarou vencedor das eleições legislativas da Grécia na tarde deste domingo 17. Falando em inglês, Antonis Samaras, líder da legenda, disse que “o povo grego expressou sua vontade de permanecer no euro” e de “honrar seus compromissos” com a União Europeia. O conservador também chamou os partidos com objetivos semelhantes a se juntar em um governo de coalizão. “Vou garantir que os sacrifícios do povo grego tragam o país de volta ao crescimento. Estamos de determinados a fazer o que for preciso e de forma rápida.”

A declaração de Samaras, de 61 anos, ameniza o temor das autoridades europeias da formação de um governo antiausteridade que exija a revisão dos acordos de resgate ao país. Algo que poderia levar os gregos a romper com o euro.

Com quase 80% das urnas apuradas, o ND soma 30,07% dos votos, contra 26,55% do Syriza, da esquerda radical e 12,50% do Pasok. O resultado garante a formação de um governo pró-austeridade, pois o ND consegue, até o momento, com 130 cadeiras no Parlamento, o Syriza com 71 e o Pasok, 33. Logo, uma aliança entre primeiro e terceiro colocados – que compuseram o último governo – somaria 163 cadeiras. Um número bem acima dos 151 necessários para a maioria absoluta.

O Syriza admitiu a derrota, mas prometeu manter posição contrária às medidas de austeridade impostas ao país pelo acordo de resgate financeiro com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). "A partir de segunda-feira nós continuaremos a batalha", disse o líder do Syriza, Alexis Tsipras. "Um novo dia para a Grécia amanheceu".

Segundo a Singular Logic, empresa que computa os votos, já foram apurados cerca de 7,8 milhões de votos, dos 9,9 milhões inscritos para ir às urnas.

Reação alemã

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, reagiu aos resultados afirmando que seu país está disposto a discutir os prazos necessários para a aplicação das reformas na Grécia. "Não deve haver mudança substancial nos compromissos" assumidos pela Grécia com seu programa de reformas, mas "posso imaginar, sem problemas, uma negociação sobre novos prazos".

Para justificar esta flexibilidade, o ministro destacou que a Grécia viveu "uma paralisia política nas últimas semanas devido às eleições". "Os cidadãos comuns não podem ser punidos, especialmente porque já suportaram cortes drásticos". "Estamos dispostos a assumir a solidariedade na Europa, mas não podemos aceitar a anulação dos compromissos assumidos", declarou.

Até o momento, Berlim se manteve inflexível sobre o programa de reformas, tanto em relação ao conteúdo quanto aos prazos decretados.

Segunda eleição

A nova votação acontece após os vencedores das eleições maio não terem conseguido formar um governo.

Antonis Samaras, de 61 anos, líder do ND, se apresenta como o fiador da manutenção da Grécia no euro, ao mesmo tempo em que quer rever o plano de rigor negociado com os credores internacionais em troca de ajuda financeira.  Seu rival, muito mais carismático, Alexis Tsipras, de 37 anos, chefe do Syriza, exige acabar com este memorando assinado pelos partidos tradicionais “submetidos ao diktat dos credores”. Tsipras disse neste domingo, após votar em Atenas, que a Grécia perdeu o medo e que seu partido abre “caminho para um país de justiça social, membro em igualdade de uma Europa que muda”.

Seja qual for o resultado das eleições, os partidos líderes nas pesquisas parecem interessados em renegociar o plano de ajuda de 130 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, apesar da necessidade de fazer concessões. Até o momento, FMI e Alemanha insistem que o novo governo deverá respeitar as promessas feitas em março.

Analistas ouvidos pela agência de notícias AFP acreditam que a Europa vai ter que negociar com a Grécia. Mas seria mais fácil ajustar o plano de ajuda se o ND vencer as eleições, já que Samaras indicou que respeitará o programa previsto.  ”A questão é saber se o novo governo vai querer negociar de boa fé e se a UE vai querer continuar com a ajuda”, resume o economista do FMI, Simon Johnson, atualmente professor do Massachusetts Institute of Technology. “O FMI fará o que puder, mas começamos a ficar sem opções.”

Jacob Kirkegaard, do Instituto Peterson sobre Economia Internacional em Washington, acredita ser provável que se alcance um acordo, seja qual for o resultado das eleições. “Inclusive uma vitória do Syriza não levará a Grécia a sair do euro, o que continua sendo uma possibilidade muito remota.”

Com informações AFP.

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