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Grécia

Conservadores vencem eleição, indicam resultados parciais

por Redação Carta Capital — publicado 17/06/2012 15h41, última modificação 06/06/2015 17h37
Nova Democracia e Pasok possuem cadeiras suficientes no Parlamento para formar coalizão pró-austeridade

Os primeiros resultados oficiais da apuração das eleições legislativas gregas deste domingo 17 indicam a vitória do partido conservador Nova Democracia, com 30,14% dos votos. Em segundo lugar aparece o Syriza, da esquerda radical, com 26,46%, seguido pelos socialistas do Pasok (12,57%).

Com cerca de 60% dos votos apurados, o resultado garante a formação de um governo pró-austeridade. O ND fica, até o momento, com 130 cadeiras no Parlamento, o Syriza com 70 e o Pasok com 33. Logo, uma aliança entre primeiro e terceiro colocados - que compuseram o último governo - somaria 163 cadeiras. Um número bem acima dos 151 necessários para a maioria absoluta.

Segundo a Singular Logic, empresa que computa os votos, já foram apurados cerca de 5,8 milhões de votos, dos 9,9 milhões inscritos para ir às urnas.

As autoridades europeias temem que os partidos antiausteridade consiguam formar um governo de coalizão que exija a revisão dos acordos de resgate ao país. Algo que poderia levar os gregos a romperem com o euro.

Há ainda a possibilidade de o Syriza recuperar terreno. Os votos apurados até o momento são em grande parte das zonas rurais. Conforme a apuração chegue à região urbana, o partido da esquerda radical pode obter um resultado melhor e equilibrar a disputa.

Boca de urna 

As pesquisas de boca de urna indicaram um empate técnico entre o ND e o Syriza. Segundo uma pesquisa divulgada pela mídia grega após o fechamento das urnas, o ND (pró-austeridade) tinha apenas 0,5% de vantagem sobre o Syriza (antiausteridade). O pleito é visto quase como um referendo a favor ou contra a permanência do país na Zona do Euro.

A pesquisa mostra que a direita obteria entre 27,5% e 30,5% dos votos, e o Syriza, entre 27% e 30%. Mas o quadro é tão equilibrado que uma consulta da emissora Skai indica o Syriza com 31% dos votos contra 30% da Nova Democracia. Mesmo assim, nenhuma das estimativas proporciona maioria absoluta a um só partido, logo será necessário formar um governo de coalizão.

Os dados também mostram que o partido neonazista Amanhecer Dourado obteve entre 6% e 7,5% dos votos, um resultado semelhante ao das eleições de 6 de maio, segundo a pesquisa divulgada pela Mega. No primeiro pleito, o partido obteve 21 cadeiras no Parlamento, com 6,9% dos votos, pela primeira vez na história contemporânea da Grécia.

As urnas foram abertas às 4h (1h de Brasília) para os 9,9 milhões de eleitores gregos e fecharam às 16h (13h de Brasília).

Segunda eleição

A nova votação acontece após os vencedores das eleições maio não terem conseguido formar um governo.

Antonis Samaras, de 61 anos, líder do ND, se apresenta como o fiador da manutenção da Grécia no euro, ao mesmo tempo em que quer rever o plano de rigor negociado com os credores internacionais em troca de ajuda financeira.  Seu rival, muito mais carismático, Alexis Tsipras, de 37 anos, chefe do Syriza, exige acabar com este memorando assinado pelos partidos tradicionais “submetidos ao diktat dos credores”. Tsipras disse neste domingo, após votar em Atenas, que a Grécia perdeu o medo e que seu partido abre “caminho para um país de justiça social, membro em igualdade de uma Europa que muda”.

Seja qual for o resultado das eleições, os partidos líderes nas pesquisas parecem interessados em renegociar o plano de ajuda de 130 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, apesar da necessidade de fazer concessões. Até o momento, FMI e Alemanha insistem que o novo governo deverá respeitar as promessas feitas em março.

Analistas ouvidos pela agência de notícias AFP acreditam que a Europa vai ter que negociar com a Grécia. Mas seria mais fácil ajustar o plano de ajuda se o ND vencer as eleições, já que Samaras indicou que respeitará o programa previsto.  ”A questão é saber se o novo governo vai querer negociar de boa fé e se a UE vai querer continuar com a ajuda”, resume o economista do FMI, Simon Johnson, atualmente professor do Massachusetts Institute of Technology. “O FMI fará o que puder, mas começamos a ficar sem opções.”

Jacob Kirkegaard, do Instituto Peterson sobre Economia Internacional em Washington, acredita ser provável que se alcance um acordo, seja qual for o resultado das eleições. “Inclusive uma vitória do Syriza não levará a Grécia a sair do euro, o que continua sendo uma possibilidade muito remota.”

Atualizado às 17h01. 

Com informações AFP.

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