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G-20

Consenso de Seul?

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 09/11/2010 00h53, última modificação 12/11/2010 15h57
Um acordo entre as potências econômicas é possível, mas será frágil, à mercê de decisões políticas. A única certeza é que o Consenso de Washington se foi
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Obama chega isolado em Seul, ironizado pelo chinês Cui e criticado pelo alemão Schäuble

Um acordo entre as potências econômicas é possível, mas será frágil, à mercê de decisões políticas. A única certeza é que o Consenso de Washington se foi

Bem-vindo ao Admirável Mundo Novo. Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, propõe ao Grupo dos 20 uma regra que limitaria a 4% do PIB os déficits ou superávits nacionais de conta corrente. O vice-chanceler da China, Cui Tiankai, responde que “a imposição artificial, de uma meta numérica, só nos lembra da era das economias planificadas”. Como ironia pouca é bobagem, a agência de classificação de risco chinesa Dagong reage à “flexibilização quantitativa”, rebaixando os títulos dos EUA de AA para A+ (nota igual à da Itália ou da própria China), com viés negativo.

Não adiantou os estadunidenses oferecerem isentar a Alemanha da regra, propondo considerar apenas a conta corrente do conjunto da União Europeia. O conservador ministro da Fazenda alemão, Wolfgang Schäuble, alinhou-se ao Partido Comunista Chinês: “O que os EUA acusam a China de fazer (manipulação do câmbio), eles o fazem por meios diferentes”. Considerou “inaceitável” a proposta de Washington de cotas de exportação.

O mundo não aceita engessar relações de força só para salvaguardar os interesses do governo de Barack Obama. A “nova proposta dos EUA divide o G-20”, dizia a manchete do Valor em 8 de novembro, mas na verdade opôs Washington a todo o resto do grupo. Índia, Brasil, China e países europeus acusam os EUA de minar o espírito de cooperação multilateral com ações unilaterais como a “flexibilização quantitativa” do Federal Reserve e a veem como mais uma bolha ameaçadora.

Para encontrar um dirigente de Banco Central estrangeiro disposto a respaldá-la, foi preciso buscar Stanley Fischer em Israel, economia pequena e totalmente dependente dos EUA.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 622, já nas bancas.

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