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Conselho de Segurança da ONU discute moção contra a Síria

por Opera Mundi — publicado 27/04/2011 16h46, última modificação 06/06/2015 18h16
A proposta de punição foi formulada pela França, Alemanha, Reino Unido e Portugal. Se aprovada, será a primeira censura ao governo de Bashar Al Assad. Por Daniella Cambaúva

Por Daniella Cambaúva

O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) deve retomar nesta quarta-feira (27/04) o debate sobre a possibilidade de condenar formalmente a Síria por conta das denúncias de repressão do governo contra manifestantes.

A proposta de punição foi formulada pela França, Alemanha, Reino Unido e Portugal. Na terça-feira, quando aconteceu a primeira parte da discussão, China e Rússia, países com poder de veto, impediram que fosse adotada uma resolução contra a Síria.

Se a moção contra Damasco for aprovada, será a primeira censura ao governo de Bashar Al Assad, que poderá ser seguida por um projeto de sanção, no caso de as denúncias de violência contra civis continuarem.

O Conselho de Segurança está composto por Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China, como membros permanentes com direito ao veto, mais Colômbia, Brasil, Líbano, Nigéria, Índia, Portugal, Bósnia e Herzegóvina, África do Sul, Gabão e Alemanha.

Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, participou do encontro no Conselho de Segurança e se mostrou favorável tanto da condenação quanto de uma investigação internacional para avaliar se as forças do presidente sírio, Bashar Al Assad, estão violando os direitos humanos.

"Pessoalmente, condeno a continuidade da violência contra manifestantes pacíficos e, particularmente, o uso de tanques e de armas de fogo, que mataram e feriram centenas de pessoas", afirmou, citado pela Prensa Latina.

"As autoridades sírias têm a obrigação de proteger os civis e de respeitar seus compromissos internacionais, incluindo os direitos de expressão e de liberdade de reunião", completou ele.

Avaliação

O CDH (Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas) debaterá nesta sexta-feira (29/04) a situação dos direitos humanos na Síria.

A iniciativa partiu de vários países europeus - como Espanha, França, Reino Unido e Suíça - e de outros como Japão, México e Estados Unidos.

O pedido encaminhado à Secretaria do CDH só obteve apoio de países ocidentais, com a exceção da Zâmbia e Senegal.

O governo sírio ainda não se manifestou oficialmente sobre a investigação, nem sobre a possibilidade de condenação por parte do Conselho de Segurança.

Confrontos

Na sexta-feira, quando a oposição realizou um grande protesto em várias cidades da Síria, cresceram as preocupações da comunidade internacional sobre as violações de direitos humanos no país. De acordo com as agências de notícias internacionais, morreram entre 80 e 100 civis naquele dia, vítimas das forças de segurança.

Nos dias seguintes, houve denúncias de repressão contra manifestantes e de novas mortes. A oposição pede reformas políticas, liberdade de expressão e libertação de presos políticos.

De acordo com informações da ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos, pelo menos 453 pessoas morreram desde o início dos protestos na Síria. O balanço foi divulgado hoje.

O presidente, por sua vez, contesta a morte de seis membros das forças de seguranças e alega que 295 funcionários oficiais ficaram gravemente feridos desde a semana passada, segundo a agência Sana.

Bashar Al Assad afirma ser vítima de uma conspiração por parte de "países inimigos". Por conta das tentativas de diálogo com o Irã e com Hamas, a Síria não é considerada um país aliado dos EUA no Oriente Médio.

As relações diplomáticas entre Damasco e Washington estão suspensas desde 2005, ainda durante o mandato de George W. Bush (2001-2009). A ruptura ocorreu após os EUA atribuirem a responsabilidade pelo assassinato do então primeiro-ministro do Líbano, Rafik Hariri, ao governo da Síria. Hariri foi morreu em Beirute em março de 2005.

Além disso, o país árabe não tem relações diplomáticas com Israel desde a em 2008.

*Matéria publicada originalmente em OperaMundi

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