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Internacional

Sudão do Sul

Conflitos étnicos no país deixam 600 mortos

por Redação Carta Capital — publicado 23/08/2011 20h03, última modificação 06/06/2015 18h16
Independente do Sudão após décadas de guerra civil, o país mais pobre do mundo agora enfrenta problemas entre seus próprios grupos

Independente há cerca de um mês, o Sudão do Sul já enfrenta as consequências de seus próprios conflitos étnicos, após décadas de guerra civil contra o Norte do Sudão.

No estado de Jonglei, uma das regiões mais perigosas do novo país, o grupo étnico minoritário Murle atacou o Lou Nuer e roubou 40 mil cabeças de gado. A ação, que teria sido uma retaliação a um ataque anterior, ocorreu na quinta-feira 18 e deixou ao menos 600 mortos e 985 feridos, segundo o site BBC.

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras disse ter atendido 100 pessoas em Pieri e que houve invasão de 12 aldeias próximas à cidade. A maioria dos pacientes eram mulheres e crianças com ferimentos à bala.

O MSF também afirma que sua clínica no local sofreu ataques dos invasores. Equipamentos  médicos e remédios foram levados e parte da instalação incendiada. Além disso, um funcionário sul-sudanês da organização e toda a sua família foram mortos.

Pobreza e população

A emancipação do Sudão do Sul foi aprovada por 99% da população em um referendo no início de 2011. O país, maior que a Bahia, já nasceu como o mais pobre do mundo: 33% dos nove milhões de habitantes precisam de ajuda humanitária para se alimentar e 90% vivem com até 50 centavos de dólar por dia (cerca de 0,80 centavos de reais).

Além disso, o Sudão do Sul gasta cerca de 700 milhões de dólares em segurança, um orçamento maior que os de educação, saúde, eletricidade e indústria somados.

O país está divido em dez estados e três províncias, sendo a capital Juba, onde vivem um milhão de pessoas. O governo é dominado pela etnia Dinka, o maior grupo da nação, mas alguns dos principais exércitos rebeldes estão sob o comandado de membros da Nuer, um rival histórico.

Para evitar maiores instabilidades, o Conselho de Segurança ONU aprovou uma missão de paz com cerca de sete mil homens no Sudão do Sul, pelo período inicial de um ano. As tropas devem ajudar a “consolidar a paz e a segurança” e estabelecer condições para um governo democrático.

“Naquele território há mais de 500 grupos étnicos com centenas de línguas e dialetos distintos, que agora vão ter que se conformar em um único estado. É uma estabilidade muito frágil”, disse, em entrevista a CartaCapital na época da criação do país, o mestre em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), Edilson Adão Cândido da Silva.

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